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BLOGUE REAL ASSOCIAÇÃO DE LISBOA

Saudades do Brasil que podia ter sido

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Ao Brasil são atribuídos tradicionalmente três pecados originais - a escravatura, a monocultura e o patriarcalismo latifundiário - que terão contribuído para a sua consolidação como país independente mas, também, para a sua estagnação e o seu fraco desenvolvimento económico. Em maior ou menor grau, todos os "intérpretes do Brasil" - autores de obras que, pela sua importância e impacto, se tornaram incontornáveis na (auto)interpretação do país - debruçaram-se sobre eles articulando-os e entendendo-os de maneiras diversas e procurando perscrutar a identidade nacional brasileira, criando-a ou recriando-a à medida que sobre ela faziam incidir os seus estudos.

Inicialmente centrada nos aspectos culturais, antropológicos e etnográficos, ontológicos até, da brasilidade, esta análise foi revelando crescentes preocupações sociais e inflectindo, sob influência marxista, para análises mais ou menos desenvolvimentistas sobre o grau de progresso do Brasil, e os motivos e consequências das assimetrias sociais na sociedade brasileira.

O tempo e um mundo separam Joaquim Nabuco, o monárquico "revolucionário conservador" defensor acérrimo da abolição da escravatura, ou a interpretação de Gilberto Freyre sobre a especificidade do mundo lusotropical, das visões propugnadoras da direcção da economia ou denunciadoras dos bloqueios alegadamente causados pela herança portuguesa da patrimonialidade do poder.

Não obstante, todas cultuam a nação e buscam a sua compreensão, nem sempre fácil, porque, como dele disse Alceu Amoroso Lima "Foi se vendo pouco a pouco - e até hoje o vemos ainda com surpresa, por vezes - que o Brasil se formara às avessas, começara pelo fim. Tivera Coroa antes de ter Povo. Tivera parlamentarismo antes de ter eleições. Tivera escolas superiores antes de ter alfabetismo. Tivera bancos antes de ter economias. Tivera salões antes de ter educação popular. Tivera artistas antes e ter arte. Tivera conceito exterior antes de ter consciência interna. Fizera empréstimos antes de ter riqueza consolidada. Aspirara a potência mundial antes de ter a paz e a força interior. Começara em quase tudo pelo fim. Fora uma obra de inversão."

Ao relermos a avaliação de Amoroso Lima, ressalta como primeira “inversão” a da existência de uma Coroa que precedeu a do próprio Povo. Esta Coroa, “semeada” por D. João VI, forjada por D. Pedro I e cingida sobretudo por D. Pedro II, foi a responsável, em boa medida, pelas obras de antecipação (preferimos esta designação à inversão) elencadas, verdadeira “plantação de instituições”. Sem elas, dificilmente o Brasil teria preservado a sua integridade política e territorial e, mesmo, a sua identidade cultural, arriscando pulverizar-se em particularismos e a deslaçar-se sob a liderança despótica de caudilhos avulsos à imagem da América espanhola.


O papel da monarquia na estruturação do Brasil e o papel tão modelar quanto moderador do seu segundo imperador e da Princesa Isabel, regente, é hoje amplamente reconhecido e a república brasileira e a maioria dos seus líderes não podem senão empalidecer (quando não corar de vergonha) ante o rol dos serviços imperiais à nação. Recorde-se que foi o Império Brasileiro quem aboliu a escravatura e que foi o seu papel corajoso e liderante nesse processo que ditou o seu fim, às mãos de terratenentes desafectos e de jovens militares positivistas sob a liderança formal de um velho marechal perjuro que no próprio dia da revolução deu vivas ao seu Imperador…

Apesar das caricaturas a que esteve sujeito em vida – decorrentes da liberdade de imprensa que defendia – e depois de morto – por uma república empenhada em justificar-se desdenhando o passado -, a imagem de digna devoção ao Brasil de D. Pedro II, paladino da verdadeira Ordem e do bom Progresso, emerge hoje por entre os escombros de uma sociedade polarizada e dilacerada por contradições e extremismos, potenciados por um regime presidencialista e por um congresso nacional eivados de corrupção.

Gilberto Freyre, considerou a monarquia brasileira como “predominantemente democrática e democratizada.”, entendendo que esta “exerceu saudável influência em favor da unidade, política e da cultura nacional; e mesmo em favor da objectividade em certas práticas políticas”, e que “com o prestígio que lhe era dado pela Família Imperial em benefício do papel nacional que, como sistema, tinha a representar, a monarquia brasileira manteve-se acima dos paternalismos regionais e das rivalidades entre as famílias poderosas”.


Num Brasil em que a moderação é um bem dramaticamente escasso, a sobriedade do estilo e da linguagem e o exercício constitucional do poder moderador por D. Pedro II deveria servir de exemplo: “é indispensável que o imperador, mantendo-se livre de prevenções partidárias, e portanto não considerando também como excessos as aspirações naturais e justas dos partidos, procure ouvir, mas com discreta reserva das opiniões próprias, às pessoas honestas e mais inteligentes de todos os partidos”.

O triste destino do Paço de S. Cristovão / Museu Nacional – consumido pelas chamas, perdendo-se a maioria do espólio da mais antiga instituição científica do Brasil – que remonta à presença fundadora de D. João VI e a ironia cruel de a imagem mais difundida do incêndio ter a estátua de D. Pedro II em primeiro plano, constituem uma metáfora dolorosa do Brasil que foi, do que é e do que poderia ter sido.

Olhando para a história atribulada do Brasil e para o novo capítulo que se iniciará com as eleições presidenciais do próximo fim-de-semana, é justo perguntar o que ganhou o país-irmão com a troca do Império pela República e desejar que, qualquer que seja o vencedor, vinguem a decência, a civilidade e a moderação sonhadas para o seu país por um sábio que era Imperador e que estão inscritas no coração dos brasileiros.

 

João Vacas

Associado nº 1924 da Real Associação de Lisboa

 

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O nosso Rei é livre

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Em 1986 Marcelo Rebelo de Sousa definia deste modo os partidos políticos: “toda a associação duradoura de cidadãos ou entidades em que estes se agrupem, que vise representar politicamente de modo global a colectividade e participar no funcionamento do sistema de governo constitucionalmente instituído, para o efeito contribuindo para a designação dos titulares dos órgãos do poder político do Estado.

O processo de integração europeia - no qual Portugal participa precisamente desde aquele ano - tornou patente a insuficiência de uma definição como a anterior, que exclui a dimensão supra-estatal da acção partidária bem como a possibilidade de criação e estabelecimento de partidos transnacionais destinados a actuar em sistemas políticos, como é o caso do da União Europeia, que integram mas extravasam o âmbito nacional. É impossível dissociar os partidos dos países europeus e os seus líderes desse processo de integração. Eles estão na sua génese e, em boa medida, contribuíram para o moldar.

O Parlamento Europeu constitui a instituição europeia - ou órgão se nos ativermos à classificação tradicional portuguesa - em que mais directamente se reconhece essa presença dos partidos políticos e dos seus eleitos e é a que, nos termos dos Tratados que regem a União, deveria representar directamente os cidadãos da Europa. Esses mesmos Tratados atribuem aos «partidos políticos ao nível europeu» - designação ampla que inclui partidos nacionais e partidos europeus constituídos e a constituir - a função de contribuírem «para a criação de uma consciência política europeia e para a expressão da vontade dos cidadãos da União.»

Hoje não existem apenas partidos políticos nacionais mas, também, partidos políticos europeus e vislumbra-se a possibilidade de criação de verdadeiros partidos políticos globais que substituam as “internacionais” vigentes, como a IDU – International Democrat Union (conservadora), a Internacional Socialista, a Internacional Liberal, a CDI – Centrist Democrat International (democrata-cristã/popular).

A experiência da “europeização” das instituições e actores políticos aprofundou e articulou os diferentes níveis e modalidades de formações partidárias que passaram a coexistir e a interagir. Dessa coexistência e interacção resultou a agregação da maioria dos principais actores políticos nacionais em torno das grandes famílias políticas e a sua articulação de um modo transnacional. Esta circunstância é um resultado inevitável da existência de uma nova esfera de actuação política e não deve ser vista como inerentemente negativa. Será aquilo que, em concreto, dela for feito e pode ser usada muito justamente em benefício dos interesses nacionais.

No entanto, a criação e funcionamento destas redes partidárias transnacionais – formais e informais – aconselha a existência de um poder livre da sua influência, detentor de autoridade própria, emanada do povo que serve e da história que a legitima. Um poder imune, pela natureza e pelo exercício, ao potencial efeito prejudicial das redes. Capaz de representar a nação, de se identificar com ela e de se dedicar a ela exclusivamente.

Sendo certo que a Chefia de Estado republicana não acarreta necessariamente a influência de, ou absorção por, ligações, cumplicidades ou interesses diferentes dos nacionais, é evidente que o curso das carreiras políticas contemporâneas, cada vez mais perpassadas pela realidade europeia, os propiciam e estimulam. Não se trata, portanto, de entender que os presidentes da república não representam os interesses específicos dos seus Estados, mas, antes, que os monarcas constitucionais são mais aptos a fazê-lo e que o fazem com mais autoridade e maior liberdade por serem distintos e mais distantes das famílias políticas europeias.

Já em 1985, ante a adesão de Portugal à CEE, Gonçalo Ribeiro Telles escrevia que “A economia da grande maioria das nações tem hoje que se integrar em espaços mais vastos e de maiores recursos. A independência dos povos históricos depende, por conseguinte, na afirmação que fizerem, em termos de instituições, de cultura e de educação, das suas raízes históricas e da maneira própria de ser e de estar no Mundo. (…) A monarquia é portanto, mais do que uma necessidade, um dever patriótico desta geração.

João Mattos e Silva disse-o magistralmente em 2010: “o Chefe do Estado tem de ser livre, como gerador e garantia da nossa liberdade. Por isso, e em nome dela, te convido a fazer a escolha da liberdade ao querer e lutar pelo regresso do Rei, livre de todas as pressões políticas e económicas, de todas as ideologias, acima das facções, comprometido apenas com a nação que fomos, somos e seremos.

A actualidade e lucidez deste convite impõem a sua renovação permanente.

Se a política portuguesa hoje não é compreensível na sua plenitude sem que se tenha em conta a participação de Portugal na União Europeia, a europeização da política nacional recomenda que a Chefia do Estado seja confiada a quem possa exercê-la em liberdade.

O nosso Rei é livre.

 

João Vacas

Associado nº 1924 da Real Associação de Lisboa

 

 

 

 

O voto de um monárquico - Opinião

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Estamos em vésperas de eleições. No próximo ano entre 23 e 26 de Maio teremos a eleição dos deputados ao Parlamento Europeu (Europeias) para um mandato de 5 anos e em meados de Setembro/Outubro a eleição da Assembleia da República (Legislativas) para um mandato de 4 anos.

A abstenção tem sido um problema que assola os actos eleitorais e o cumprimento da democracia. Há variadíssimas razões para não se ir votar, ou porque está sol e vou para a praia ou está a chover e fico em casa, ou estou contente e “deixa andar” ou não vale a pena lá ir pois é mais do mesmo, e ainda para mais com o aparecimento do novo fenómeno democrático “os geringonços”. Tudo isto são razões, mas quem assim se justifica, não tem razão nenhuma!

O voto devia ser obrigatório, (salvo raras excepções como motivos de doença ou ausência do País, que certamente com a digitalização dos actos eleitorais, essas falhas ao sistema, ficariam sanadas). No entanto, é imperativo começarmos desde já, e aqui as juventudes partidárias têm um papel fulcral, a incutir na mente do povo, que o voto acima de um direito, deve ser um dever. E um direito e dever não para qualquer cidadão que seja maior de idade, mas sim para quem tenha concluído a escolaridade mínima obrigatória, para que vote minimamente esclarecido, e num candidato, ideia ou proposta com que se identifique e não com base na filosofia do “quem dá mais”, por ter recebido uma caneta ou um chapéu de candidato x ou y. É que chapéus há muitos, candidatos válidos para levar este País que foi tão nobre e está tão pobre a bom porto, é que já não.

Como monárquico assumido e convicto que sou, muitos amigos perguntam-me o que leva um monárquico a votar nas presidenciais? “Não tem lógica nenhuma!” – dizem eles. Respondo que tem toda a lógica, pois o voto é um direito que me assiste e um dever enquanto cidadão e democrata (cristão). Já para não evocar todos aqueles que lutaram pela conquista deste direito, para que hoje em dia seja um direito intrínseco na figura de um cidadão de um Estado de Direito. Isto é prova da confusão que paira na cabeça dos eleitores. Uma coisa é abster-se, outra é votar em branco ou “anular” o boletim de voto. (Obviamente, nas presidenciais o meu voto é sempre igual, desenho uma coroa e escrevo Viva o Rei!). E faço-o pela lógica das minhas convicções, de que Portugal estaria bem melhor se tivéssemos uma monarquia constitucional, com órgãos políticos eleitos democraticamente, sendo a chefia de Estado assegurada por um Rei. Faço-o igualmente em jeito de protesto, por defender que a Família Real deve ter o seu lugar (e condignamente) no Protocolo de Estado, e por crer que numa próxima revisão constitucional deveria haver a liberdade de opção de alteração do actual sistema. Não é honesto não se perguntar qual a preferência dos portugueses sobre esta questão, quando até a própria república foi proclamada por golpe militar e nunca foi referendada.

No meu entender, o voto nulo representa a minha vontade em exercer o meu direito e dever enquanto cidadão, e a minha inconformidade com a actual realidade e opções que se me apresentam. É um sinal de que apesar de discordância, ou descrença na “oferta”, abdiquei da minha zona de conforto e fui votar (faça chuva ou faça sol). Por outro lado, o voto branco (apesar de sempre melhor do que a abstenção), não exprime ou reflecte a vontade do eleitor, pois a sua interpretação é susceptível de subjectividade. Tanto pode significar o conformismo que caracteriza a maioria de nós em relação às injustiças do sistema político, como pode significar a ausência de uma opção com a qual o eleitor se identifique e que vá ao encontro dos seus ideais.

 

Pedro Ferreira de Carvalho 

Excerto de artigo publicado originalmente aqui

 

Dia de Portugal

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A razão por que um monárquico não poderá ficar indiferente à invasão desregulada de migrantes no espaço europeu é porque a coroa será a primeira instituição a ressentir-se duma fragilização do tecido social das velhas nações, como comunidades de história e língua.

Foi isso que me chamou a atenção na esplêndida série “The Crown” da Netflix que relata a história do reinado de Isabel II, com a exibição de imagens do início da década de 50, das viagens da Família Real para passar o Natal em Sandringham, em que se vê o povo a acorrer em massa às plataformas das estações para acenar à passagem do comboio real. Este entusiamo, que emana da pátria profunda, só é possível por uma sólida identificação da população com os seus monarcas, na cumplicidade dos acontecimentos partilhados desde os confins da História.

De facto, as nações europeias vivem em cima de uma bomba relógio com o prenúncio de uma crise demográfica que só vem sendo mitigada através do escancaramento das fronteiras, uma estratégia que deve pouco ao altruísmo, mas antes à cegueira economicista da burocracia que nos governa. Assim, sem tempo para a aculturação das novas populações que à Europa afluem com costumes e línguas muito diferentes, as redes comunitárias vêem-se ameaçadas, relativizando-se o chão comum, promovendo-se a desconfiança e acicatando-se veleidades nacionalistas.

Ironicamente, Portugal, histórico palco de cruzamento de povos e culturas diferentes, onde sempre prevaleceu uma assinalável capacidade de assimilação, se não escapa à crise demográfica, vai estando imune à invasão massiva de migrantes que aflige outros países europeus. Mas não evita a agressividade da massificação cultural deste mundo globalizado, razão que deve motivar os monárquicos portugueses a concentrar esforços na defesa da nossa língua, património cultural e histórico. Porque só uma casa com identidade e carisma próprios está capacitada para bem receber novos hóspedes e visitantes. E se é verdade que temos de nos preparar com inteligência para essa luta pela afirmação identitária, em bom rigor temos razões para nos orgulharmos do Senhor Dom Duarte e da Família Real, que se vêm afirmando resolutos defensores dos mais perenes valores da portugalidade. Aqui, no extremo ocidental da Europa, e nos quatro cantos do Mundo.  

 

O meu editorial para o Correio Real nº 17 em distribuição em Junho. 

António de Sampayo e Mello (1952-2018)

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O desaparecimento ontem do Dr. António de Sampayo e Mello (1952-2018) constitui uma perda inestimável para o nosso País e, sobretudo, para o movimento monárquico, de cuja génese foi, sem dúvida, um dos mais categorizados responsáveis. Serviu Portugal sempre e o seu Príncipe enquanto isso lhe foi pedido e entregou-se a ambas as missões com método, rigor e uma imensa paixão. Perseverante e frontal como poucos e patriota como nenhum outro português, era senhor de um pensamento profundo, informado e cristalino e de muitas outras qualidades que sempre pôs ao serviço do seu País. Apesar de acompanhar a actualidade com um cativante interesse, nunca se deixou dominar pelo sentido da urgência nem alguma vez permitiu que esta, a urgência, o impedisse de reflectir sobre o que era verdadeiramente importante para Portugal e para o mundo português. Morreu ontem um português inteiro, um monárquico fidelíssimo a Portugal e ao seu Príncipe, um português que sabia o que era honra e quanto esta deve preceder o proveito. Todos somos devedores do seu impressivo testemunho.

 

Nuno Pombo

Presidente da Mesa da Assembleia Geral da Real Associação de Lisboa

O Dia em que o Rei faz anos

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Quis o destino que o chefe da Casa Real Portuguesa, o senhor Dom Duarte de Bragança nascesse naquele que é hoje oficialmente o Dia Internacional da Família. Por sinal, a Família Real Portuguesa constituiu a melhor propaganda para o modelo familiar tal como eu o usufrui: um projecto perene, crivo cultural com história própria, território protector do grande monstro igualitário da cultura dominante para a formação de seres críticos e livres.

De facto a família assim entendida atravessa uma profunda crise: cada vez há menos casamentos, no sentido da formação de novas “casas”. Segundo a Pordata, no ano passado, das poucas crianças nascidas, mais de metade terão sido fora do casamento. Também no meu círculo noto que são cada vez mais frequentes as relações amorosas “liberais” prolongadas, assumidas com um pé dentro e com outro fora da casa dos pais. Ironicamente são as famílias sobreviventes o porto de abrigo desses deambulantes jovens adultos, eternos filhos pródigos que adiam compromissos, por troca dum prato de lentilhas ou um smartphone de última geração, símbolo da sua “liberdade individual”. Toda a precariedade dos vínculos dos dias de hoje convida a uma sociedade de indivíduos isolados e frágeis com pertenças difusas, efémeras. 

É também em virtude da minha profunda crença num modelo de sociedade fundada em famílias livres e orgulhosas da sua história que eu sou tão convictamente monárquico. Nesse sentido os meus votos de parabéns ao senhor Dom Duarte é reforçado pelo orgulho que tenho na Família Real e que tão bem reflecte o modelo das minhas mais profundas convicções. Longa vida ao rei dos portugueses! 

 

Publicado originalmente no jornal i

Relembrar Gonçalo Ribeiro Telles...

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Em devido tempo, o Arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles alertou para a necessidade duma regulamentação adequada da floresta portuguesa e de uma política agrícola que precavesse o abandono do interior do País. Para si, a Chefia de Estado Real era parte integrante duma concepção profundamente ecológica da Nação e em boa hora a Real Associação de Lisboa decidiu publicar em livro uma antologia de textos políticos seus, até agora dispersos. Perante os trágicos incêndios que se verificaram em Junho e Outubro, e confrontados com as suas mais profundas causas, era inevitável lembramo-nos das suas palavras sábias e do seu combate. Nós monárquicos sabemos que a Pátria se constitui não só pela língua comum que falamos, pela história e cultura de que somos resultado, mas também pelo território físico que ocupamos neste extremo ocidental da Europa, que a “República Portuguesa”, essa entidade abstracta, uma coisa “em forma de assim” com que nos querem designar e cuja única competência bem-sucedida é perseguir-nos para cobrar impostos, vem demonstrando uma absoluta incapacidade de administrar. Não há verdadeira soberania sem autoridade sobre o território. Nestes estranhos tempos de “realidades virtuais” e “simplexes”, a gestão responsável do território e do património físico de Portugal tem que ser uma prioridade para todos nós, e os monárquicos não estão isentos de o exigir com veemência aos seus governantes. Nós iremos estar vigilantes.

 

(Trecho do editorial do Correio Real nº 16)

Fazer História em cima da memória

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Já não é a primeira vez que o deputado socialista Ascenso Simões, um político cujas opiniões invulgarmente livres em tempos ganhavam letra de forma neste jornal, vem à praça pública para, ao mesmo tempo, piscar timidamente o olho à Monarquia e deplorar os monárquicos. Foi esta a difícil pirueta que Ascenso Simões ensaiou no Público de ontem, na sua “Carta Aberta a Dom Duarte Pio”. Curioso como articulista vê monárquicos atávicos e passadistas mas a sua oportuna miopia não lhe dá a conhecer republicanos de um jacobinismo fossilizado na sua própria casa. Da Carta, porém, aproveitam-se ideias interessantes sobre o papel da Família Real Portuguesa e do nosso Príncipe na “república” que temos, a quem cumpre, nas suas palavras “continuar a fazer História em cima da memória”. Essa ideia é aliás defendida por muitos de nós, os mais pragmáticos no movimento monárquico, para quem importa, dada a agenda política tão avessa à questão do regime, afirmar o Senhor Dom Duarte, indisputado Chefe da Casa Real Portuguesa, como “rei dos portugueses”, epíteto cuja aceitação geral diria muito mais de nós, enquanto povo, do que do Senhor Dom Duarte.

Ninguém ignora a discreta mas determinada e persistente intervenção do Duque de Bragança em vários aspectos da nossa vida colectiva. O Senhor Dom Duarte tem dedicado a sua vida, uma vida cheia, ao serviço, à representação nacional, calcorreando o mundo português de lés-a-lés, percorrendo a expensas suas o país inteiro, do mais cosmopolita centro urbano ao mais remoto município. É um homem que vence distâncias, rumando a latitudes longínquas, a paragens onde nenhum político português pôs os pés, para poder estar com as comunidades que falam português ou se sentem parte integrante do nosso mundo lusíada. Fá-lo por sentido de dever, sem esperar qualquer reconhecimento público ou atenção mediática. O Senhor Dom Duarte faz, sempre fez, o que sente ser seu dever, alheio a quaisquer calculismos conjunturais. Não deveríamos nós, portugueses, sempre lestos na crítica, reconhecer a sorte de termos alguém que tão livremente honra a nossa História e cimenta as relações ancestrais entre pessoas de todos os continentes? O Senhor Dom Duarte é rei dos portugueses em razão do seu serviço, por mérito próprio. Poderia ser Rei de Portugal se, nós, portugueses, o quiséssemos. Sê-lo-ia, por virtude nossa.

Como em tempos disse a Ascenso Simões, as Reais Associações em que assenta a Causa Real são grupos heterogéneos, política e socialmente transversais que espelham a diversidade de que é feito o nosso País. O movimento monárquico não se dirige a nenhuma facção ideológica, classe social ou elite cultural. Dirige-se a todos os portugueses que se interessem pelos destinos de Portugal e entendam que só pode “fazer-se história em cima da memória”.

 

Publicado originalmente aqui

E o Louçã que não gosta de contos de fadas...

É uma tentação irresistível, mas de vez em quando um descendente ideológico de Afonso Costa, esse impoluto “democrata” que depois de 1910 com os seus capangas encheu as prisões indistintamente de monárquicos e sindicalistas, que restringiu o direito de voto da população, fazendo a percentagem de cidadãos votantes descer de 75% para 30%, tem de vir dar prova de vida a perorar contra a Instituição Real. Desta vez foi o Reverendo Louçã, inspirado pelo "Podemos" de nustros hermanos que se impressionou muito com o agraciamento da Infanta Leonor, a princesa herdeira do trono de Espanha, com o Tosão d’ Ouro, uma ordem dinástica atribuída muito restritivamente, tradicionalmente recebida pelo herdeiro da coroa espanhola em tenra idade. Curioso é perceber que republicanos como Louçã aprofundam tanto os seus estudos de genealogia - e, no caso, da pureza das linhagem dos Bourbons - mas fingem não perceber como a Instituição Real em Espanha é muito mais do que “um conto de fadas para revistas cor-de-rosa”: quando necessário foi garante da democracia e da Constituição, mas acima de tudo é sustentáculo contra a desagregação da Espanha. Aliás, conhecendo as causas do sacerdote Louçã, logo se descobre que "desagregação" é a palavra-chave da sua agenda, e fica-se desconfiado com o seu papel no Banco de Portugal ou de Conselheiro de Estado. A desagregação da Europa, a desagregação das Nações, a desagregação da democracia liberal, a desagregação das empresas, a desagregação da família, a desagregação da Igreja e de tudo que seja instituição fiável para o progresso de comunidades sólidas e livres. Entende-se porquê: esse caos de desagregação é o campo fértil, a única fórmula de conquistar gente revoltada e insatisfeita que se abalance para o seu projecto revolucionário do Homem Novo, como é exemplo vivo a Venezuela e as outras repúblicas tão ao seu gosto na sua juventude. No fundo, a coisa que mais frustra o Dr. Louçã são as monarquias europeias onde os revolucionários como ele jamais conseguiram por o pé em ramo verde, países em que a comunidade se revê nas suas resistentes instituições, e por isso sempre alcançam a prosperidade. Infelizmente para nós, em Portugal dão-lhe demasiado protagonismo. Porque será?

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Nota: pensei ilustrar este post com uma fotografia de Louçã, mas pensando bem, porque prefiro um conto de fadas a um filme de terror, escolhi a fotografia de uma princesa. Porque sou um patriota aqui fica a da infanta D. Maria Francisca que é por certo uma das mais bonitas da Europa.

Portugal e o Triunfo do Imaculado Coração de Maria

(Homilia  do Revd. Padre Gonçalo Portocarrero de Almada na Igreja de São Vicente de Fora, 1 de Fevereiro de 2018)

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 I
Introdução

Os Apóstolos partiram e pregaram o arrependimento, expulsaram muitos demónios, ungiram com óleo muitos doentes e curaram-nos” (Mc 7-13). Este feliz epílogo ao trecho do Evangelho, agora proclamado, enche-nos de esperança, mas também de responsabilidade. De esperança porque, doentes como todos somos, senão no corpo pelo menos na alma, a certeza de que também agora o Senhor, através da sua Igreja, nos pode e quer curar, enche-nos de alegria. De responsabilidade porque, se aqui nos encontramos, é porque fazemos parte do grupo dos apóstolos de Nosso Senhor Jesus Cristo, o que quer dizer que também a nós incumbe a missão de partir e pregar o Evangelho, com a palavra e sobretudo com o exemplo, expulsando os demónios e curando os muitos doentes que nos esperam.

II
Cumprimentos.

Mais uma vez, um grupo numeroso de patriotas se encontra neste templo, para sufragar Sua Majestade Fidelíssima el-Rei D. Carlos I e Sua Alteza o Príncipe Real, Dom Luís Filipe que, num dia como o de hoje, há cento e dez anos, foram barbaramente assassinados no Terreiro do Paço.

Se é verdade que a augusta presença de Suas Altezas Reais, os Duques de Bragança, confere a este acto um carácter político, de afirmação da Instituição Real, que me apraz registar, também a título pessoal, é igualmente certo que o alcance desta efeméride vai para além da sua expressão monárquica, na medida em que reveste um carácter patriótico e espiritual. O regicídio não apenas enlutou a Família Real, como ofendeu toda a nação portuguesa que, na pessoa de el-Rei tinha o mais excelso símbolo da sua grandeza e, no Príncipe Real, a garantia da continuidade da dinastia reinante. Ao ser ungido, o monarca exerce uma espécie de sacerdócio que o configura com a pátria, de que é expressão viva, por virtude daquele poder que, por vir do alto, é sagrado. Não estranha, portanto, que o acto criminoso perpetrado contra o soberano seja, para a moral católica, comparável ao sacrilégio: para além do desrespeito pelo dom da vida humana, é também uma particularmente grave ofensa a toda a nação e a Deus, de quem procede todo o poder.

Esta liturgia pretende sufragar as almas das vítimas reais do regicídio, mas incluem-se também nesta prece aqueles que lhes eram mais próximos: em primeiro lugar, Sua Majestade a Rainha D. Amélia, que nesse trágico lance perdeu o seu augusto marido, o Senhor D. Carlos I, e o seu filho primogénito, o Príncipe Real. Também é especialmente evocado el-Rei D. Manuel II que, por virtude desse penoso acontecimento, foi tragicamente chamado para a missão de dar continuidade à Casa de Bragança, no trono de Portugal.

Embora extinto, na varonia, esse ramo da dinastia, prossegue agora nos Senhores Duques de Bragança a chefia da Casa Real portuguesa: sobre eles recai também a glória da representação de todos os Reis de Portugal e a responsabilidade de dar seguimento ao ideal monárquico, na fidelidade aos princípios cristãos que forjaram, desde a sua fundação, a nacionalidade portuguesa. Para esse efeito, não lhes faltarão as copiosas bênçãos da Providência, mas decerto agradecerão o apoio da nossa oração, para que continuem a honrar, como até hoje sempre fizeram, a tradição histórica que tão exemplarmente encarnam, na sua louvável fidelidade à missão espiritual que compete a Portugal. 

Cumprimento também o Senhor Presidente da Real Associação de Lisboa, a quem devo a honra de presidir a esta Eucaristia, a direcção da Causa Real, os membros das Ordens pontifícias de São João de Jerusalém, dita de Malta, e do Santo Sepulcro, meus estimados Confrades, e os Cavaleiros e Damas das Ordens dinásticas de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa e de Santa Isabel. Saúdo igualmente todos os outros fiéis presentes, recomendando-me às suas orações.

III

A monarquia e a tradição.

Ao aproximar-se o dia da sua morte, David ordenou a seu filho Salomão: ‘Vou seguir o caminho de todos os mortais. Tem coragem e procede como um homem. Guarda os mandamentos do Senhor, teu Deus” (1Reis 2, 1-4).

Quando chegou ao termo natural da sua vida terrena, o Rei David, que sucedera ao Rei Saúl, determinou que o seu filho Salomão lhe sucedesse no trono de Israel e assim assegurasse a continuidade da dinastia davídica.

A sucessão familiar na chefia de Estado é uma característica própria das monarquias, que é de grande conveniência para a paz e unidade nacional. De certo modo, no regime monárquico, nenhum rei o é a título meramente individual mas familiar, na medida em que o é por herança de seus maiores. De certo modo, poder-se-ia até dizer que é a família que reina, cabendo a cada monarca apenas o exercício da realeza no período intermédio do seu reinado, depois da geração que o antecedeu e antes do monarca que lhe sucederá. Esta continuidade familiar no exercício do poder real sublinha a sua função ministerial e histórica: o soberano serve a pátria e a unidade nacional, devotando a sua vida inteira à sua chefia e representação, mas sempre de acordo com a tradição, ou seja, respeitando uma cadeia de gerações que o antecederam e que, depois dele, lhe deverão suceder.

 

Segundo a etimologia, tradição é entrega: a traditio romana era a entrega que se fazia de alguma coisa que, por regra, simbolizava o bem transaccionado. O monarca recebe de seus antecessores um legado histórico, que deve conservar e depois transmitir às gerações vindouras. O conceito de tradição está unido ao de unidade e de identidade nacional e opõe-se, por assim dizer, ao de revolução, que pressupõe sempre uma ruptura com o passado, quase uma refundação nacional. Neste sentido, a monarquia afigura-se como a forma de Estado que é mais respeitadora da tradição histórica e da identidade nacional, sobretudo quando a dinastia, como é o caso de Portugal, é a mesma desde a fundação da nacionalidade.

IV
Nacionalidade portuguesa e espiritualidade cristã

 

 Mas não basta que haja uma continuidade histórica, é necessário que se preserve a identidade espiritual que nos define como nação.

 Algo semelhante acontecia com o reino de Israel, que não era apenas mais um Estado da Ásia Menor, mas o povo escolhido, o povo de Deus. Por isso, o Rei David, de quem descenderá o esperado Messias, encarece ao seu filho Salomão, seu sucessor no trono, a fidelidade a todos os preceitos divinos: “Guarda os mandamentos do Senhor, teu Deus. Segue os seus caminhos, cumprindo os seus preceitos, estatutos, normas e decretos, conforme está escrito na lei de Moisés. Assim serás bem sucedido em todas as tuas obras e empreendimentos e o Senhor cumprirá a promessa que me fez: ‘Se os teus filhos procederem bem e caminharem fielmente na minha presença, com todo o coração e toda a alma, nunca te faltará um descendente no trono do Israel’ ” (1Reis 2, 1-4. 10-12).

Talvez, do ponto de vista teórico, seja possível conceber monarquias sem qualquer conotação espiritual, mas esse nunca poderá ser, decididamente, o caso de Portugal, ao qual a Santa Sé, por causa da indefectível união dos nossos monarcas à sede petrina, em boa hora lhes concedeu o tratamento de Majestades Fidelíssimas. Se porventura a nossa monarquia deixasse de ser cristã, também deixaria de ser, de algum modo, tradicional e genuinamente portuguesa. Com efeito, a nossa nacionalidade sempre esteve unida à espiritualidade cristã, desde D. Afonso Henriques e até ao último dos seus sucessores no trono lusitano. Se a monarquia lusitana deixasse de ser cristã, deixava também de ser tradicional e portuguesa.

O declínio da civilização europeia deve-se, em boa parte, ao inverno demográfico, mas também à passividade ideológica em relação a outras culturas e religiões. Neste contexto europeu, em que o nosso país também está integrado, não será excessivo sublinhar a necessidade, senão mesmo a urgência, de afirmar a identidade cristã de Portugal. Se o islamismo pôde avançar em tantos países da velha Europa, não foi apenas porque muitos fiéis muçulmanos emigraram para o velho continente e aí se estabeleceram, trazendo consigo a sua cultura e a sua fé. Uma tal involução cultural e religiosa só pôde acontecer porque os novos ‘colonizadores’ ocuparam um espaço que a tibieza de muitos europeus deixara vazio.

A crise da Europa não é apenas económica, demográfica ou cultural, mas sobretudo espiritual: se o Cristianismo estivesse vivo e vibrante nos países que receberam o primitivo anúncio do Evangelho, não seriam os refugiados islâmicos a impor a sua crença, convertendo em mesquitas as velhas igrejas, mas os cristãos que, aproveitando este movimento migratório, proporiam aos fiéis de Alá, com a palavra e sobretudo o exemplo e respeitando sempre a liberdade das suas consciências, a fé redentora em Jesus Cristo Nosso Senhor.

V

Conclusão

No ano findo, foi com alegria que agradecemos a Deus o primeiro centenário das aparições marianas em Fátima, bem como a canonização, pelo Papa Francisco, na Cova da Iria, dos videntes Francisco e Jacinta Marto.

Neste ano de 2018, ocorre um outro centenário, que é feliz por ser o do fim da primeira Guerra Mundial, mas que é trágico também, por ser o do termo de quatro grandes impérios envolvidos nessa contenda: o otomano, o austro-húngaro, o alemão e o russo. A essa catástrofe europeia está associada a queda das respectivas monarquias, bem como o martírio da família imperial russa, impiedosamente assassinada pelos defensores da soviética ditadura do proletariado.

Para além destas trágicas memórias, ressalve-se uma lembrança gloriosa: a do Beato Carlos, último imperador austríaco que, por uma muito feliz circunstância, veio a nascer para a vida eterna na ilha da Madeira, onde os seus restos mortais se veneram na Igreja de Nossa Senhora do Monte. Sua viúva, a Imperatriz Zita, cujo processo de beatificação também está em curso, era neta de el-Rei D. Miguel I, pelo que também por esta via se reforça a relação do Beato Carlos com Portugal.

 

Sem querer reeditar a utopia do quinto império, tão cara ao nosso Padre António Vieira, imperador da língua portuguesa, na feliz expressão do vate, permitam-me que faça do sonho de uma nova era cristã a prece final desta homilia. Talvez Fátima, a localidade portuguesa curiosamente homónima da filha do profeta islâmico, encerre ainda uma surpresa: a da conversão a Cristo dos seguidores de Maomé! Quem sabe se, no cumprimento desse desígnio, esta terra de Santa Maria, em que a Senhora mais brilhante do que o Sol prometeu que nunca se perderia o dogma da fé, não tem ainda uma missão profética a cumprir!

Por graça e devoção de el-Rei D. João IV, Nossa Senhora da Conceição é, desde 1646, nossa Padroeira e Rainha. Que seja de novo Portugal, sob a égide da Casa de Bragança, o instrumento da Providência para a realização do prometido triunfo do Imaculado Coração de Maria!  

Assim seja!

Gonçalo Portocarrero de Almada

A Real Associação de Lisboa é uma estrutura regional integrante da Causa Real, o movimento monárquico de âmbito nacional. Esta é uma associação que visa a divulgação, promoção e defesa da monarquia e da Instituição Real corporizada na Coroa Portuguesa, cujos direitos dinásticos estão na pessoa do Senhor Dom Duarte, Duque de Bragança e em quem legitimamente lhe vier a suceder. Cabe a esta associação a prossecução de iniciativas e de projectos de interesse cultural, social, assistencial e de solidariedade que visem a dignificação, a valorização e o desenvolvimento dos seus associados e da comunidade em que se insere.

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