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BLOGUE REAL ASSOCIAÇÃO DE LISBOA

Dia de Portugal

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A razão por que um monárquico não poderá ficar indiferente à invasão desregulada de migrantes no espaço europeu é porque a coroa será a primeira instituição a ressentir-se duma fragilização do tecido social das velhas nações, como comunidades de história e língua.

Foi isso que me chamou a atenção na esplêndida série “The Crown” da Netflix que relata a história do reinado de Isabel II, com a exibição de imagens do início da década de 50, das viagens da Família Real para passar o Natal em Sandringham, em que se vê o povo a acorrer em massa às plataformas das estações para acenar à passagem do comboio real. Este entusiamo, que emana da pátria profunda, só é possível por uma sólida identificação da população com os seus monarcas, na cumplicidade dos acontecimentos partilhados desde os confins da História.

De facto, as nações europeias vivem em cima de uma bomba relógio com o prenúncio de uma crise demográfica que só vem sendo mitigada através do escancaramento das fronteiras, uma estratégia que deve pouco ao altruísmo, mas antes à cegueira economicista da burocracia que nos governa. Assim, sem tempo para a aculturação das novas populações que à Europa afluem com costumes e línguas muito diferentes, as redes comunitárias vêem-se ameaçadas, relativizando-se o chão comum, promovendo-se a desconfiança e acicatando-se veleidades nacionalistas.

Ironicamente, Portugal, histórico palco de cruzamento de povos e culturas diferentes, onde sempre prevaleceu uma assinalável capacidade de assimilação, se não escapa à crise demográfica, vai estando imune à invasão massiva de migrantes que aflige outros países europeus. Mas não evita a agressividade da massificação cultural deste mundo globalizado, razão que deve motivar os monárquicos portugueses a concentrar esforços na defesa da nossa língua, património cultural e histórico. Porque só uma casa com identidade e carisma próprios está capacitada para bem receber novos hóspedes e visitantes. E se é verdade que temos de nos preparar com inteligência para essa luta pela afirmação identitária, em bom rigor temos razões para nos orgulharmos do Senhor Dom Duarte e da Família Real, que se vêm afirmando resolutos defensores dos mais perenes valores da portugalidade. Aqui, no extremo ocidental da Europa, e nos quatro cantos do Mundo.  

 

O meu editorial para o Correio Real nº 17 em distribuição em Junho. 

António de Sampayo e Mello (1952-2018)

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O desaparecimento ontem do Dr. António de Sampayo e Mello (1952-2018) constitui uma perda inestimável para o nosso País e, sobretudo, para o movimento monárquico, de cuja génese foi, sem dúvida, um dos mais categorizados responsáveis. Serviu Portugal sempre e o seu Príncipe enquanto isso lhe foi pedido e entregou-se a ambas as missões com método, rigor e uma imensa paixão. Perseverante e frontal como poucos e patriota como nenhum outro português, era senhor de um pensamento profundo, informado e cristalino e de muitas outras qualidades que sempre pôs ao serviço do seu País. Apesar de acompanhar a actualidade com um cativante interesse, nunca se deixou dominar pelo sentido da urgência nem alguma vez permitiu que esta, a urgência, o impedisse de reflectir sobre o que era verdadeiramente importante para Portugal e para o mundo português. Morreu ontem um português inteiro, um monárquico fidelíssimo a Portugal e ao seu Príncipe, um português que sabia o que era honra e quanto esta deve preceder o proveito. Todos somos devedores do seu impressivo testemunho.

 

Nuno Pombo

Presidente da Mesa da Assembleia Geral da Real Associação de Lisboa

O Dia em que o Rei faz anos

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Quis o destino que o chefe da Casa Real Portuguesa, o senhor Dom Duarte de Bragança nascesse naquele que é hoje oficialmente o Dia Internacional da Família. Por sinal, a Família Real Portuguesa constituiu a melhor propaganda para o modelo familiar tal como eu o usufrui: um projecto perene, crivo cultural com história própria, território protector do grande monstro igualitário da cultura dominante para a formação de seres críticos e livres.

De facto a família assim entendida atravessa uma profunda crise: cada vez há menos casamentos, no sentido da formação de novas “casas”. Segundo a Pordata, no ano passado, das poucas crianças nascidas, mais de metade terão sido fora do casamento. Também no meu círculo noto que são cada vez mais frequentes as relações amorosas “liberais” prolongadas, assumidas com um pé dentro e com outro fora da casa dos pais. Ironicamente são as famílias sobreviventes o porto de abrigo desses deambulantes jovens adultos, eternos filhos pródigos que adiam compromissos, por troca dum prato de lentilhas ou um smartphone de última geração, símbolo da sua “liberdade individual”. Toda a precariedade dos vínculos dos dias de hoje convida a uma sociedade de indivíduos isolados e frágeis com pertenças difusas, efémeras. 

É também em virtude da minha profunda crença num modelo de sociedade fundada em famílias livres e orgulhosas da sua história que eu sou tão convictamente monárquico. Nesse sentido os meus votos de parabéns ao senhor Dom Duarte é reforçado pelo orgulho que tenho na Família Real e que tão bem reflecte o modelo das minhas mais profundas convicções. Longa vida ao rei dos portugueses! 

 

Publicado originalmente no jornal i

Relembrar Gonçalo Ribeiro Telles...

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Em devido tempo, o Arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles alertou para a necessidade duma regulamentação adequada da floresta portuguesa e de uma política agrícola que precavesse o abandono do interior do País. Para si, a Chefia de Estado Real era parte integrante duma concepção profundamente ecológica da Nação e em boa hora a Real Associação de Lisboa decidiu publicar em livro uma antologia de textos políticos seus, até agora dispersos. Perante os trágicos incêndios que se verificaram em Junho e Outubro, e confrontados com as suas mais profundas causas, era inevitável lembramo-nos das suas palavras sábias e do seu combate. Nós monárquicos sabemos que a Pátria se constitui não só pela língua comum que falamos, pela história e cultura de que somos resultado, mas também pelo território físico que ocupamos neste extremo ocidental da Europa, que a “República Portuguesa”, essa entidade abstracta, uma coisa “em forma de assim” com que nos querem designar e cuja única competência bem-sucedida é perseguir-nos para cobrar impostos, vem demonstrando uma absoluta incapacidade de administrar. Não há verdadeira soberania sem autoridade sobre o território. Nestes estranhos tempos de “realidades virtuais” e “simplexes”, a gestão responsável do território e do património físico de Portugal tem que ser uma prioridade para todos nós, e os monárquicos não estão isentos de o exigir com veemência aos seus governantes. Nós iremos estar vigilantes.

 

(Trecho do editorial do Correio Real nº 16)

Fazer História em cima da memória

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Já não é a primeira vez que o deputado socialista Ascenso Simões, um político cujas opiniões invulgarmente livres em tempos ganhavam letra de forma neste jornal, vem à praça pública para, ao mesmo tempo, piscar timidamente o olho à Monarquia e deplorar os monárquicos. Foi esta a difícil pirueta que Ascenso Simões ensaiou no Público de ontem, na sua “Carta Aberta a Dom Duarte Pio”. Curioso como articulista vê monárquicos atávicos e passadistas mas a sua oportuna miopia não lhe dá a conhecer republicanos de um jacobinismo fossilizado na sua própria casa. Da Carta, porém, aproveitam-se ideias interessantes sobre o papel da Família Real Portuguesa e do nosso Príncipe na “república” que temos, a quem cumpre, nas suas palavras “continuar a fazer História em cima da memória”. Essa ideia é aliás defendida por muitos de nós, os mais pragmáticos no movimento monárquico, para quem importa, dada a agenda política tão avessa à questão do regime, afirmar o Senhor Dom Duarte, indisputado Chefe da Casa Real Portuguesa, como “rei dos portugueses”, epíteto cuja aceitação geral diria muito mais de nós, enquanto povo, do que do Senhor Dom Duarte.

Ninguém ignora a discreta mas determinada e persistente intervenção do Duque de Bragança em vários aspectos da nossa vida colectiva. O Senhor Dom Duarte tem dedicado a sua vida, uma vida cheia, ao serviço, à representação nacional, calcorreando o mundo português de lés-a-lés, percorrendo a expensas suas o país inteiro, do mais cosmopolita centro urbano ao mais remoto município. É um homem que vence distâncias, rumando a latitudes longínquas, a paragens onde nenhum político português pôs os pés, para poder estar com as comunidades que falam português ou se sentem parte integrante do nosso mundo lusíada. Fá-lo por sentido de dever, sem esperar qualquer reconhecimento público ou atenção mediática. O Senhor Dom Duarte faz, sempre fez, o que sente ser seu dever, alheio a quaisquer calculismos conjunturais. Não deveríamos nós, portugueses, sempre lestos na crítica, reconhecer a sorte de termos alguém que tão livremente honra a nossa História e cimenta as relações ancestrais entre pessoas de todos os continentes? O Senhor Dom Duarte é rei dos portugueses em razão do seu serviço, por mérito próprio. Poderia ser Rei de Portugal se, nós, portugueses, o quiséssemos. Sê-lo-ia, por virtude nossa.

Como em tempos disse a Ascenso Simões, as Reais Associações em que assenta a Causa Real são grupos heterogéneos, política e socialmente transversais que espelham a diversidade de que é feito o nosso País. O movimento monárquico não se dirige a nenhuma facção ideológica, classe social ou elite cultural. Dirige-se a todos os portugueses que se interessem pelos destinos de Portugal e entendam que só pode “fazer-se história em cima da memória”.

 

Publicado originalmente aqui

E o Louçã que não gosta de contos de fadas...

É uma tentação irresistível, mas de vez em quando um descendente ideológico de Afonso Costa, esse impoluto “democrata” que depois de 1910 com os seus capangas encheu as prisões indistintamente de monárquicos e sindicalistas, que restringiu o direito de voto da população, fazendo a percentagem de cidadãos votantes descer de 75% para 30%, tem de vir dar prova de vida a perorar contra a Instituição Real. Desta vez foi o Reverendo Louçã, inspirado pelo "Podemos" de nustros hermanos que se impressionou muito com o agraciamento da Infanta Leonor, a princesa herdeira do trono de Espanha, com o Tosão d’ Ouro, uma ordem dinástica atribuída muito restritivamente, tradicionalmente recebida pelo herdeiro da coroa espanhola em tenra idade. Curioso é perceber que republicanos como Louçã aprofundam tanto os seus estudos de genealogia - e, no caso, da pureza das linhagem dos Bourbons - mas fingem não perceber como a Instituição Real em Espanha é muito mais do que “um conto de fadas para revistas cor-de-rosa”: quando necessário foi garante da democracia e da Constituição, mas acima de tudo é sustentáculo contra a desagregação da Espanha. Aliás, conhecendo as causas do sacerdote Louçã, logo se descobre que "desagregação" é a palavra-chave da sua agenda, e fica-se desconfiado com o seu papel no Banco de Portugal ou de Conselheiro de Estado. A desagregação da Europa, a desagregação das Nações, a desagregação da democracia liberal, a desagregação das empresas, a desagregação da família, a desagregação da Igreja e de tudo que seja instituição fiável para o progresso de comunidades sólidas e livres. Entende-se porquê: esse caos de desagregação é o campo fértil, a única fórmula de conquistar gente revoltada e insatisfeita que se abalance para o seu projecto revolucionário do Homem Novo, como é exemplo vivo a Venezuela e as outras repúblicas tão ao seu gosto na sua juventude. No fundo, a coisa que mais frustra o Dr. Louçã são as monarquias europeias onde os revolucionários como ele jamais conseguiram por o pé em ramo verde, países em que a comunidade se revê nas suas resistentes instituições, e por isso sempre alcançam a prosperidade. Infelizmente para nós, em Portugal dão-lhe demasiado protagonismo. Porque será?

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Nota: pensei ilustrar este post com uma fotografia de Louçã, mas pensando bem, porque prefiro um conto de fadas a um filme de terror, escolhi a fotografia de uma princesa. Porque sou um patriota aqui fica a da infanta D. Maria Francisca que é por certo uma das mais bonitas da Europa.

Portugal e o Triunfo do Imaculado Coração de Maria

(Homilia  do Revd. Padre Gonçalo Portocarrero de Almada na Igreja de São Vicente de Fora, 1 de Fevereiro de 2018)

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 I
Introdução

Os Apóstolos partiram e pregaram o arrependimento, expulsaram muitos demónios, ungiram com óleo muitos doentes e curaram-nos” (Mc 7-13). Este feliz epílogo ao trecho do Evangelho, agora proclamado, enche-nos de esperança, mas também de responsabilidade. De esperança porque, doentes como todos somos, senão no corpo pelo menos na alma, a certeza de que também agora o Senhor, através da sua Igreja, nos pode e quer curar, enche-nos de alegria. De responsabilidade porque, se aqui nos encontramos, é porque fazemos parte do grupo dos apóstolos de Nosso Senhor Jesus Cristo, o que quer dizer que também a nós incumbe a missão de partir e pregar o Evangelho, com a palavra e sobretudo com o exemplo, expulsando os demónios e curando os muitos doentes que nos esperam.

II
Cumprimentos.

Mais uma vez, um grupo numeroso de patriotas se encontra neste templo, para sufragar Sua Majestade Fidelíssima el-Rei D. Carlos I e Sua Alteza o Príncipe Real, Dom Luís Filipe que, num dia como o de hoje, há cento e dez anos, foram barbaramente assassinados no Terreiro do Paço.

Se é verdade que a augusta presença de Suas Altezas Reais, os Duques de Bragança, confere a este acto um carácter político, de afirmação da Instituição Real, que me apraz registar, também a título pessoal, é igualmente certo que o alcance desta efeméride vai para além da sua expressão monárquica, na medida em que reveste um carácter patriótico e espiritual. O regicídio não apenas enlutou a Família Real, como ofendeu toda a nação portuguesa que, na pessoa de el-Rei tinha o mais excelso símbolo da sua grandeza e, no Príncipe Real, a garantia da continuidade da dinastia reinante. Ao ser ungido, o monarca exerce uma espécie de sacerdócio que o configura com a pátria, de que é expressão viva, por virtude daquele poder que, por vir do alto, é sagrado. Não estranha, portanto, que o acto criminoso perpetrado contra o soberano seja, para a moral católica, comparável ao sacrilégio: para além do desrespeito pelo dom da vida humana, é também uma particularmente grave ofensa a toda a nação e a Deus, de quem procede todo o poder.

Esta liturgia pretende sufragar as almas das vítimas reais do regicídio, mas incluem-se também nesta prece aqueles que lhes eram mais próximos: em primeiro lugar, Sua Majestade a Rainha D. Amélia, que nesse trágico lance perdeu o seu augusto marido, o Senhor D. Carlos I, e o seu filho primogénito, o Príncipe Real. Também é especialmente evocado el-Rei D. Manuel II que, por virtude desse penoso acontecimento, foi tragicamente chamado para a missão de dar continuidade à Casa de Bragança, no trono de Portugal.

Embora extinto, na varonia, esse ramo da dinastia, prossegue agora nos Senhores Duques de Bragança a chefia da Casa Real portuguesa: sobre eles recai também a glória da representação de todos os Reis de Portugal e a responsabilidade de dar seguimento ao ideal monárquico, na fidelidade aos princípios cristãos que forjaram, desde a sua fundação, a nacionalidade portuguesa. Para esse efeito, não lhes faltarão as copiosas bênçãos da Providência, mas decerto agradecerão o apoio da nossa oração, para que continuem a honrar, como até hoje sempre fizeram, a tradição histórica que tão exemplarmente encarnam, na sua louvável fidelidade à missão espiritual que compete a Portugal. 

Cumprimento também o Senhor Presidente da Real Associação de Lisboa, a quem devo a honra de presidir a esta Eucaristia, a direcção da Causa Real, os membros das Ordens pontifícias de São João de Jerusalém, dita de Malta, e do Santo Sepulcro, meus estimados Confrades, e os Cavaleiros e Damas das Ordens dinásticas de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa e de Santa Isabel. Saúdo igualmente todos os outros fiéis presentes, recomendando-me às suas orações.

III

A monarquia e a tradição.

Ao aproximar-se o dia da sua morte, David ordenou a seu filho Salomão: ‘Vou seguir o caminho de todos os mortais. Tem coragem e procede como um homem. Guarda os mandamentos do Senhor, teu Deus” (1Reis 2, 1-4).

Quando chegou ao termo natural da sua vida terrena, o Rei David, que sucedera ao Rei Saúl, determinou que o seu filho Salomão lhe sucedesse no trono de Israel e assim assegurasse a continuidade da dinastia davídica.

A sucessão familiar na chefia de Estado é uma característica própria das monarquias, que é de grande conveniência para a paz e unidade nacional. De certo modo, no regime monárquico, nenhum rei o é a título meramente individual mas familiar, na medida em que o é por herança de seus maiores. De certo modo, poder-se-ia até dizer que é a família que reina, cabendo a cada monarca apenas o exercício da realeza no período intermédio do seu reinado, depois da geração que o antecedeu e antes do monarca que lhe sucederá. Esta continuidade familiar no exercício do poder real sublinha a sua função ministerial e histórica: o soberano serve a pátria e a unidade nacional, devotando a sua vida inteira à sua chefia e representação, mas sempre de acordo com a tradição, ou seja, respeitando uma cadeia de gerações que o antecederam e que, depois dele, lhe deverão suceder.

 

Segundo a etimologia, tradição é entrega: a traditio romana era a entrega que se fazia de alguma coisa que, por regra, simbolizava o bem transaccionado. O monarca recebe de seus antecessores um legado histórico, que deve conservar e depois transmitir às gerações vindouras. O conceito de tradição está unido ao de unidade e de identidade nacional e opõe-se, por assim dizer, ao de revolução, que pressupõe sempre uma ruptura com o passado, quase uma refundação nacional. Neste sentido, a monarquia afigura-se como a forma de Estado que é mais respeitadora da tradição histórica e da identidade nacional, sobretudo quando a dinastia, como é o caso de Portugal, é a mesma desde a fundação da nacionalidade.

IV
Nacionalidade portuguesa e espiritualidade cristã

 

 Mas não basta que haja uma continuidade histórica, é necessário que se preserve a identidade espiritual que nos define como nação.

 Algo semelhante acontecia com o reino de Israel, que não era apenas mais um Estado da Ásia Menor, mas o povo escolhido, o povo de Deus. Por isso, o Rei David, de quem descenderá o esperado Messias, encarece ao seu filho Salomão, seu sucessor no trono, a fidelidade a todos os preceitos divinos: “Guarda os mandamentos do Senhor, teu Deus. Segue os seus caminhos, cumprindo os seus preceitos, estatutos, normas e decretos, conforme está escrito na lei de Moisés. Assim serás bem sucedido em todas as tuas obras e empreendimentos e o Senhor cumprirá a promessa que me fez: ‘Se os teus filhos procederem bem e caminharem fielmente na minha presença, com todo o coração e toda a alma, nunca te faltará um descendente no trono do Israel’ ” (1Reis 2, 1-4. 10-12).

Talvez, do ponto de vista teórico, seja possível conceber monarquias sem qualquer conotação espiritual, mas esse nunca poderá ser, decididamente, o caso de Portugal, ao qual a Santa Sé, por causa da indefectível união dos nossos monarcas à sede petrina, em boa hora lhes concedeu o tratamento de Majestades Fidelíssimas. Se porventura a nossa monarquia deixasse de ser cristã, também deixaria de ser, de algum modo, tradicional e genuinamente portuguesa. Com efeito, a nossa nacionalidade sempre esteve unida à espiritualidade cristã, desde D. Afonso Henriques e até ao último dos seus sucessores no trono lusitano. Se a monarquia lusitana deixasse de ser cristã, deixava também de ser tradicional e portuguesa.

O declínio da civilização europeia deve-se, em boa parte, ao inverno demográfico, mas também à passividade ideológica em relação a outras culturas e religiões. Neste contexto europeu, em que o nosso país também está integrado, não será excessivo sublinhar a necessidade, senão mesmo a urgência, de afirmar a identidade cristã de Portugal. Se o islamismo pôde avançar em tantos países da velha Europa, não foi apenas porque muitos fiéis muçulmanos emigraram para o velho continente e aí se estabeleceram, trazendo consigo a sua cultura e a sua fé. Uma tal involução cultural e religiosa só pôde acontecer porque os novos ‘colonizadores’ ocuparam um espaço que a tibieza de muitos europeus deixara vazio.

A crise da Europa não é apenas económica, demográfica ou cultural, mas sobretudo espiritual: se o Cristianismo estivesse vivo e vibrante nos países que receberam o primitivo anúncio do Evangelho, não seriam os refugiados islâmicos a impor a sua crença, convertendo em mesquitas as velhas igrejas, mas os cristãos que, aproveitando este movimento migratório, proporiam aos fiéis de Alá, com a palavra e sobretudo o exemplo e respeitando sempre a liberdade das suas consciências, a fé redentora em Jesus Cristo Nosso Senhor.

V

Conclusão

No ano findo, foi com alegria que agradecemos a Deus o primeiro centenário das aparições marianas em Fátima, bem como a canonização, pelo Papa Francisco, na Cova da Iria, dos videntes Francisco e Jacinta Marto.

Neste ano de 2018, ocorre um outro centenário, que é feliz por ser o do fim da primeira Guerra Mundial, mas que é trágico também, por ser o do termo de quatro grandes impérios envolvidos nessa contenda: o otomano, o austro-húngaro, o alemão e o russo. A essa catástrofe europeia está associada a queda das respectivas monarquias, bem como o martírio da família imperial russa, impiedosamente assassinada pelos defensores da soviética ditadura do proletariado.

Para além destas trágicas memórias, ressalve-se uma lembrança gloriosa: a do Beato Carlos, último imperador austríaco que, por uma muito feliz circunstância, veio a nascer para a vida eterna na ilha da Madeira, onde os seus restos mortais se veneram na Igreja de Nossa Senhora do Monte. Sua viúva, a Imperatriz Zita, cujo processo de beatificação também está em curso, era neta de el-Rei D. Miguel I, pelo que também por esta via se reforça a relação do Beato Carlos com Portugal.

 

Sem querer reeditar a utopia do quinto império, tão cara ao nosso Padre António Vieira, imperador da língua portuguesa, na feliz expressão do vate, permitam-me que faça do sonho de uma nova era cristã a prece final desta homilia. Talvez Fátima, a localidade portuguesa curiosamente homónima da filha do profeta islâmico, encerre ainda uma surpresa: a da conversão a Cristo dos seguidores de Maomé! Quem sabe se, no cumprimento desse desígnio, esta terra de Santa Maria, em que a Senhora mais brilhante do que o Sol prometeu que nunca se perderia o dogma da fé, não tem ainda uma missão profética a cumprir!

Por graça e devoção de el-Rei D. João IV, Nossa Senhora da Conceição é, desde 1646, nossa Padroeira e Rainha. Que seja de novo Portugal, sob a égide da Casa de Bragança, o instrumento da Providência para a realização do prometido triunfo do Imaculado Coração de Maria!  

Assim seja!

Gonçalo Portocarrero de Almada

O histórico legado

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"Sempre meus avós vos anunciaram o nascimento de seus filhos {…} Sejam quis forem os tempos, de longe ou de perto, vós sois para mimo mesmo que fostes para os meus antepassados: o povo querido e glorioso que melhor serviu a Deus e à sua terra e mais amou os seus reis. Por isso vos anuncio como eles anunciavam, o nascimento de meu filho, oferecendo a sua vida ao bem Portugal com o mesmo fervor com que há muito consagrei a minha {…} Dou-vos nesta hora de interrogações e ansiedadesque oprimem, a certeza de que não findará no meu lar a consciência das responsabilidades que me prendem a Portugal e à felicidade de todos os portugueses.”

 

Excerto da mensagem do Senhor Dom Duarte Nuno, do exílio em Berna aos portugueses por ocasião do nascimento do seu filho primogénito o Senhor Dom Duarte Pio, a 15 de Maio de 1945. In “Nas teias de Salazar – Dom Duarte Nuno de Bragança (1907 – 1976) Entre a Esperança e a Desilusão, de Paulo Drumond Braga – 2017 Editora Objectiva.

Mensagem do 1º de Dezembro de 2017 de S.A.R. o Duque de Bragança

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1 - As minhas primeiras palavras, neste findar do ano de 2017, são de pesar pelas vítimas dos incêndios da nossa floresta, e para manifestar solidariedade para com os sobreviventes que viram ceifadas tantas vidas de familiares e tantos bens destruídos em seu redor.

A morte e sofrimento de tantas pessoas não pode ser em vão! Devemos felicitar os Bombeiros e as populações que heroicamente arriscaram as suas vidas neste combate desigual.
É preciso convencer os Governantes, por nós eleitos, a acabar com este estado de abandono do mundo rural, e de impunidade das pessoas e organizações criminosas.
Em muitos países os incendiários são considerados homicidas e punidos como tal.
A “república portuguesa, essa entidade abstrata que pretende fazer de Portugal um mero adjectivo”, não soube cumprir as suas funções na gestão do território.
Há muitos anos que me preocupo com a sustentabilidade do ambiente, que inclui a ecologia humana. Qualquer destes fatores não é viável sem o outro.
Quero lembrar que o arquiteto Gonçalo Ribeiro Telles, o criador da Reserva Agrícola Nacional e da Reserva Ecológica Nacional, tem advertido, desde há décadas, sobre esta gravíssima situação.
Ele foi o precursor da “ecologia política” em Portugal e embora as suas ideias inovadoras sejam hoje consensuais, continuam a não ser efectivamente aplicadas…
Concordam os especialistas que a causa original dos incêndios descontrolados é a má organização do território, ou pior ainda, a sua geral desorganização.
Quando um desenvolvimento sem progresso desequilibra demograficamente um País despovoando o seu interior, a tragédia é certa. Mas só é possível contrariar a desertificação do interior promovendo um espaço rural economicamente atractivo.
Temos de restaurar o interior do País com mais pessoas a cuidar do território e em particular, das florestas. Não basta o combate heróico das Corporações de Bombeiros. Temos a obrigação de agir já, com conhecimento científico e coragem política, como agiram os nossos antepassados.
Apelo às Reais Associações, pela sua implantação regional e dedicada militância, a acompanhar a implementação efectiva das reformas anunciadas pelo Governo.
Este dia do Primeiro de Dezembro que, felizmente voltou a merecer um feriado, também marcou a vida do povo português com sofrimento.
A Independência, que começou com os Conjurados em Lisboa, foi paga, na altura, com o sacrifício de vidas, sangue e lágrimas do povo ao longo de quase três décadas.

2 - E por isso ainda hoje nesta data, as bandas saem à rua em muitas das nossas cidades e vilas, para cantar o hino da restauração: “Portugueses, é chegado o dia da redenção. /Caem do pulso as algemas. /Ressurge livre a Nação”.
Todos os anos procuro percorrer esta nossa querida Nação, acedendo a convites de Municípios e outras entidades, às quais aqui deixo o meu público reconhecimento.
Visitei cidades e territórios em todo o país e, nomeadamente, as magníficas ilhas da Madeira e Porto Santo e dos Açores.
Queria destacar apenas duas visitas pelo seu significado de futuro.
Eu, minha mulher Isabel e os meus Filhos, em Maio peregrinamos a Fátima, no centenário das Aparições, aquando da visita do Papa Francisco, encontrando multidões de pessoas unidas no mesmo espírito. Já antes tivera a oportunidade de afirmar que, se no presente está consolidada a cultura e difusão da mensagem de Fátima, no futuro, gostaria de ver Fátima cada vez mais como um local de espiritualidade mundial.
Entre as visitas nacionais quero ainda destacar a que realizei a Tomar, a 1 de Junho, dia Mundial da Criança, para assistir ao Desfile “Tomar, Berço dos Descobrimentos”, uma iniciativa que juntou cerca de duas mil crianças provenientes de todos os estabelecimentos escolares do Concelho. Estas crianças são o nosso futuro.
Visitei S. Tomé e Príncipe, no âmbito da cooperação da Fundação Dom Manuel II com a Diocese local. Fiz o donativo de uma residência, para os estudantes provenientes de áreas remotas. Durante a visita ao senhor Presidente da República, conversamos sobre a cooperação entre São Tomé e Príncipe e Portugal.
Em Junho, visitei Banguecoque, onde fui recebido por muitos cristãos tailandeses descendentes de portugueses, na Igreja da Conceição, o mais antigo templo católico da Tailândia.
Ainda em Junho visitei Timor-Leste, a fim de dar um impulso à criação de uma revista, redigida em Língua Portuguesa, e ao lançamento de um novo programa de televisão em português, oferecido pela Fundação Padre Anchieta, do governo do Estado de S. Paulo.
Reuni-me com diversas entidades e muitos amigos, entre as quais o recém-eleito Presidente da República Dr. Francisco Guterres, Lu Olo.
Há muitos anos que me preocupo com a preservação da Língua Portuguesa e vejo que os Estados Membros da CPLP que tenho vindo a visitar, cultivam a nossa língua comum como elemento indispensável da sua unidade nacional. Esse esforço deveria ser prioritário na nossa cooperação.
Em Angola, Nação irmã que me diz muito, saúdo as medidas corajosas do presidente João Lourenço para alterar a situação em que o Governo viveu demasiadamente voltado para si mesmo e de costas viradas para o povo.

3 - Aquando do falecimento de meu irmão Henrique, no passado mês de Fevereiro, todos quantos o conheciam se sensibilizaram muito com a perda, nomeadamente os meus três filhos, pois ele sempre os acompanhou e apoiou.
Não queria deixar de sublinhar o exemplo de serviço e disponibilidade do meu irmão, sempre pronto para colaborar quando solicitado para uma boa causa.
Agradeço a simpatia de todos os que acompanham a vida da Família Real nas numerosas atividades que partilhamos; é uma forma das pessoas nos transmitirem que partilham as nossas expectativas de uma vida honesta e de um País melhor.
Estas são ideias simples, mas poderosas e, a meu ver, muito mais importantes que as ideologias populistas, que serão sempre um salto no desconhecido.
Quero aqui assinalar uma petição à Assembleia da República, lançada este ano, sobre alterações à «Lei das Precedências do Protocolo do Estado Português».
Esta petição já recolheu mais de dez mil assinaturas, sinal da sua grande actualidade.
Sendo eu mesmo a participar em eventos oficiais, enquanto representante dos Reis de Portugal, entenderam numerosas personalidades - entre eles deputados, presidentes de Câmara, ex-governantes e professores universitários – iniciar esta petição para que o Duque de Bragança e sua Mulher sejam incluídos na Lei do Protocolo do Estado.
Peço-vos agora que escutem estas minhas preocupações:
Antes de tudo, preocupa-me a existência dos pobres e necessitados e dos trabalhadores em dificuldade, e perante um aumento geral de riqueza, o conjunto de providências que a todos devem levar pão e alegria.
Penso, do mesmo modo, no nosso lugar no mundo e no completo resgate da civilização que Portugal tão largamente difundiu e tantos males e experiências têm ameaçado.
Estas preocupações e os sentimentos de justiça que as determinam derivam dos fundamentos morais dos princípios que sustento, da própria ética cristã que os formou, sem necessidade de outras razões.
Estas palavras não são minhas; são de meu Pai, em Mensagem ao País por ocasião do meu nascimento. Estas palavras também poderiam ser dos nossos filhos. Na sua simplicidade, representam o compromisso da Família Real com os Portugueses e com a Nação: estar sempre ao lado dos que mais necessitam, daqueles a que o Papa Francisco vem lembrar que “vivem na periferia da dor, da injustiça, da ignorância, da falta de fé, do pensamento, de todas as formas de miséria”.

 

4 - Os representantes dos Reis de Portugal poderiam ter escolhido a via seguida por muitas famílias reais exiladas: limitar-se a viver no lugar que a História lhes reservou. Mas não o fizeram. Entendo que devo seguir a minha consciência e continuar a percorrer o País e o Mundo a apregoar os aspetos positivos de Portugal, contando com a simpatia das populações e mesmo a contragosto de alguns.
A Família Real regressou a Portugal nas pessoas de meus Pais e, apesar de o Governo da época os ter deixado voltar ao seu País, acabou na prática por os «exilar cá dentro» por ver neles espíritos independentes, e até uma ameaça para o próprio regime.
A Segunda República quis apropriar-se da herança histórica dos Reis, mas esquecia que o legítimo descendente reconhecido pela população tinha ideias próprias e queria andar livremente pelo País.
Após 1975 os Portugueses conseguiram recuperar a sua liberdade política, que fora tão maltratada desde o golpe de 5 de Outubro de 1910. Mas infelizmente a falta de visão e de coragem política dos responsáveis do anterior regime, e o envolvimento das duas maiores potências dessa época, em plena guerra fria, levaram a que essa transição fosse também causa de terríveis sofrimentos, milhares de mortes e miséria em África e Timor.
Felizmente os laços afectivos que nos uniam ultrapassaram todas as crises e continuam vivos, mas essa ligação tem de ser cultivada pelas novas gerações para não terminar com o desaparecimento das gerações que ainda conviveram…
Nos tempos difíceis que agora atravessamos, de democracia ameaçada pela corrupção de alguns, e em que crescem a crise económica e a crise de solidariedade, precisamos de certezas morais e da promessa de uma sociedade decente.
Já todos perceberam que um País com uma dívida colossal não poderá ter qualquer ilusão de independência política. Por isso há que usar com prudência os recursos gerados pela nossa débil economia, e não os gastar de modo não sustentável.
A falta de solidariedade e a incerteza no futuro é maior num sistema que pode eleger populistas do que na certeza de uma Casa Real, cujo único poder resulta da identificação com a nacionalidade. Como sucedeu no 1 de Dezembro de 1640 e como poderá suceder no futuro, se todos assim quisermos!
Por isso tenho procurado ser, às minhas custas, um embaixador itinerante de Portugal no Mundo e um símbolo de um País que não vai desistir. Por isso vos convido a não desistirem de ser Portugueses!

Uma questão de decência

Casa Real.jpg

Não entendo a Chefia de Estado Real como constituindo um privilégio, antes pelo contrário. Onde existem dinastias historicamente legitimadas, e não sendo o cargo executivo, não vejo qualquer imoralidade no facto dos reis não serem sufragados pelo voto - vê-se bem por essa Europa afora a sua importância e o sucesso do modelo que persiste e se adapta nos países mais desenvolvidos. Mas é evidente que para a consumação em Portugal deste desígnio, a instauração da monarquia, a democracia tem que imperar organicamente na sociedade, através de uma participação activa das múltiplas comunidades na rés-publica. Esse é o problema: não acho que no meu País a democracia, a sociedade portuguesa e as suas instituições, no actual quadro constitucional, sejam suficientemente representativas e participadas (evoluídas) para acomodar uma Chefia de Estado hereditária. Seria um presente envenenado, um convite à insurreição. Mas isso não me demove um milímetro de me dedicar de corpo e alma à Causa Real para apoio à Casa Real Portuguesa para que ela perdure depois de mim, antes pelo contrário. Por uma questão de decência e... amor à Pátria que é legado dos meus avós.

 

Fotografia: Nuno Albuquerque Gaspar 

A Real Associação de Lisboa é uma estrutura regional integrante da Causa Real, o movimento monárquico de âmbito nacional. Esta é uma associação que visa a divulgação, promoção e defesa da monarquia e da Instituição Real corporizada na Coroa Portuguesa, cujos direitos dinásticos estão na pessoa do Senhor Dom Duarte, Duque de Bragança e em quem legitimamente lhe vier a suceder. Cabe a esta associação a prossecução de iniciativas e de projectos de interesse cultural, social, assistencial e de solidariedade que visem a dignificação, a valorização e o desenvolvimento dos seus associados e da comunidade em que se insere.

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