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BLOGUE REAL ASSOCIAÇÃO DE LISBOA

A Dinastia de Bragança e o Berço da Democracia Moderna

 

“Conforme as regras de direito natural, e humano, ainda que os Reinos transferissem nos Reis todo o seu poder, e império para os governarem, foi debaixo de uma tácita condição de o regerem, e mandarem com justiça, sem tirania, e tanto que no modo de governar usarem delas, podem os Povos privá-los dos Reinos, em sua legítima natural defesa.” Foi assim que em 1641, no assento das cortes, justificámos a revolta e sublinhámos a legitimidade democrática de D. João IV. Escrito “aos 5 dias do mês de Março de 1641”, o texto prova que vieram dos portugueses as primeiras ideias iluministas da história [“iluminismo representa a saída dos seres humanos da menoridade que estes se impuseram a si mesmos”], anos antes da era da razão, 135 anos antes da Declaração de Independência dos EUA – “[...] sempre que qualquer forma de governo se torne destrutiva de tais fins [vida, liberdade e felicidade], cabe ao povo o direito de alterá-la ou aboli-la” – e 148 anos antes de Paris forjar os Direitos do Homem e do Cidadão – “Nenhum indivíduo pode exercer autoridade que dela [nação] não emane expressamente”.  Ler mais»»»

 

 

Filipe Paiva Cardoso no jornal i 

Uma Causa Política

 

Em declarações à imprensa há uns anos, o republicano José Ribeiro e Castro considerava constituir um incalculável privilégio para um País com a nossa história, mais ainda quando ameaçado por uma sinistra crise de soberania nacional, possuir uma tão venerável quanto unânime Casa Real. Apesar da improvável origem destas sábias declarações, essa é quanto a mim a principal e mais preciosa motivação para a minha militância monárquica. Trata-se afinal de uma simples mensagem sobre Esperança. Um país com quase 900 anos de história bem merece exibir no topo da pirâmide do Estado uma isenta instituição transgeracional, exclusivamente vocacionada para o serviço público, contribuindo decisivamente para a materialização de uma Nação una e para a conciliação dos diversos interesses, facções e corporações que pela sua natureza se digladiam, organizadas em inevitáveis “partes” e “partidos”.
Tamanha tarefa choca no entanto com a incontornável realidade: destituídas de recursos materiais e humanos, as estruturas da Causa Real as reais Associações, salvo honrosas excepções, roçam a inexistência reduzidas à participação em jantares, efemérides e cerimónias religiosas.
Para começarmos a contrariar esta lógica, teremos de entender definitivamente a Causa Real como uma organização intrinsecamente política. É como tal que deveria ser assumida pelos seus líderes que, para todos os efeitos, deverão assumir-se também como políticos. Mas acontece que as Reais Associações não têm militantes, têm sócios, e, ainda por cima, difíceis de mobilizar para este ambicioso projecto: promover eficazmente a utilidade, notoriedade e reputação da sua Casa Real.

 


Urge assim alterar as nossas prioridades para uma intervenção aglutinadora de ideias e para a disputa do espaço mediático, seja ele analógico ou digital, físico ou virtual. A nossa prioridade não é convencer os monárquicos a serem mais monárquicos, mas cativar o homem da rua que hesita entre a simpatia e o preconceito, usando uma mensagem clara e atractiva.
Deste modo, defendo que compete às Reais Associações imiscuírem-se nas discussões de temas económicos, nas questões políticas candentes do país que é de todos nós. É paradigmática a facilidade com que conseguimos juntar oitocentas almas num jantar elegante à volta da Família Real, ao mesmo tempo que somos impotentes para reunir mais de vinte e cinco militantes a discutir temas importantes da actualidade política. Não animamos um núcleo estudantil, não temos voz nos partidos políticos. É irónico como enchemos igrejas pelo menos duas vezes por ano e não conseguimos juntar três bandeiras da monarquia num jogo da selecção nacional para atrair a atenção do cidadão comum. A pergunta que sobeja é esta: está a nossa organização condenada à insignificância dum grupo de patuscos saudosistas? Que mudanças organizacionais são necessárias para operar inversão deste declínio?
Há três anos consecutivos que a Causa Real vem disputando o palco político proporcionado pelo 5 de Outubro com considerável sucesso, sempre granjeando protagonismo através de entrevistas e reportagens nos telejornais, imprensa e rádios nacionais e regionais. Por outro lado a Causa Real anuncia neste número do Correio Real a criação de dois grupos de trabalho, a Comissão Política e a Comissão Económica, por forma a reforçar-se a sua a componente política e substanciar o argumentário económico-financeiro para uma restauração da Instituição Real.
Num panorama de profundas dificuldades, há animadores sinais de uma Causa Real que ambiciona extravasar a sua relevância para o terreno que é o seu por natureza e obrigação: o político, o da conquista dum futuro de esperança para Portugal. 

 

Novembro 2011 - Texto adaptado. Publicado no boletim Correio Real nº 6 

Por uma outra Europa

 

 

 

Neste tempo de “austera, apagada e vil tristeza” que Portugal vive, por culpa de governantes sem visão, sem objectivos que não sejam os imediatos que podem gerar votos, lugares e prebendas - numa clara adulteração da democracia -, sem valores e sem rasgo, é impossível não voltar a falar da Europa como comunidade política e económica em que o País se integrou em 1986, desfeito o império ultramarino de tal forma, por culpa da imprevidência e obstinação de uns e da cegueira ideológica de outros, que reduziu mercados e espaço económico, e como âncora de salvação para a incipiente organização democrática que ainda se sentia ameaçada tanto por saudosistas da II República como por aventureirismos dos defensores dos “amanhãs que cantam”.


Apesar da adesão quase geral dos portugueses à entrada para a Comunidade Económica Europeia, que foi sendo apresentada como o novo desígnio nacional, como meio de em pouco tempo se atingir um patamar de desenvolvimento que a República do Estado Novo não fora capaz de propiciar, como forma de sairmos do ambiente asfixiante do “orgulhosamente sós” e dos milhões que foram entrando nos cofres do Estado depauperado por doze anos de destruição da economia pelos comunistas e da gestão socialista, a Europa como construção supranacional, foi sempre uma questão que a maioria da população nunca considerou como digna do seu interesse imediato. Ficou nas mãos dos políticos que foram sendo eleitos para os directórios partidários e para os governos, numa lógica de exaltação clubística, a orientação para os sucessivos passos que a CEE conheceu até se tornar na União Europeia, regida por tratados que a maioria desconhece - mesmo de muitos peões, e até torres, dos partidos que os apoiaram e aprovaram. Esses passos levaram a organização europeia a um alargamento rápido demais e pouco pensado, que gerou complexidade na gestão de interesses e naturais expectativas, à criação da moeda única, a um federalismo incipiente e travestido para não assustar nacionalismos indesejados, no pressuposto de uma solidariedade interna que tenderia à aproximação dos países mais atrasados e à estabilização geral em elevados níveis de bem-estar. Em todo este processo, um pouco por todos os países europeus e em particular em Portugal, os povos não foram chamados a pronunciar-se sobre as sucessivas perdas de soberania e muito menos lhes foi explicado cabalmente o verdadeiro significado dos passos dados em seu nome.

Depois sobreveio a crise nascida nos EUA que contaminou a Europa, a que se foram somando as crises internas de países que, novos-ricos mercê dos fundos europeus, acreditaram que já tinham atingido o patamar de desenvolvimento dos que eram remediados mas presumiam de ricos e, fiados na sua solidariedade inesgotável, resolveram viver nessa nova condição.

Os nacionalismos encapotados dos mais ricos, a impaciência para com a presunção dos novos-ricos que se endividaram até à mendicidade, levou a que em vez de se recuar num projecto que, por irrealista, estava condenado ao fracasso, se queiram dar novos passos no sentido do federalismo, mas tendo como motor e futuros beneficiários, em termos de poder efectivo, os estados que os impuseram. A estratégia de Bismark e os sonhos de Hitler que se entrelaçam com o de Napoleão, numa versão moderna e dual de domínio da Europa.

Portugal, desperto apenas quando o apertar do cinto estiver a atingir o último furo, começa agora a perceber, embora lentamente, ao que esta cegueira política seguidista em relação aos partidos federalistas conduziu. Mas também em relação aos que, e foram todos os dos arco governativo, trocaram a soberania por um prato de lentilhas, acreditando que bastava comê-las, sem tratar de semeá-las e colhê-las, para que este de novo se enchesse.

Na crise que a Europa comunitária atravessa, a sua implosão seria muito pior do que a sua manutenção, mas é urgente que seja alterada a sua concepção federalista para uma Europa das nacionalidades. Como escreveu Guilherme de Oliveira Martins recentemente,” Falar da Europa das nacionalidades é, pois, compreender a História, lançando as bases de uma realidade política e institucional capaz de definir os interesses e valores comuns e de defendê-los, preservando as diferenças e fazendo delas um factor de encontro, de paz e de preservação do património cultural comum. A herança e a memória devem assim encontrar-se. A Europa precisa, no fundo, de entender o que a une e a divide, para que possa tornar-se uma União activa de Estados e Povos livres e soberanos”.

É esta concepção da Europa que pode ajudar Portugal na sua caminhada para o desenvolvimento económico, social e cultural, preservando a sua soberania e contribuindo com a sua identidade, forjada em quase nove séculos, para o todo comum.


João Mattos e Silva in Diário Digital (19-Dez-2011) 

 

Os Reis são eleitos todos os dias *

 

P: Já fundou partidos ligados à terra e em defesa da monarquia. Há ligação entre estas duas causas?

Gonçalo Ribeiro Telles - Há sempre uma ligação. A nossa história é uma construção através de um regime monárquico e essa ligação à história e à continuidade perdeu-se. E nesse sentido há de facto um recuo enorme, que permitiu depois uma visão diferente do futuro. Quando a monarquia existia havia sempre um futuro na sequência da dinastia.

 

P: É essa a vantagem que vê na monarquia?

GRT - É essa a grande vantagem. Isso dá um somatório de uma cultura que é muito difícil de arrancar. Só à força é que se arranca. É o que está a suceder. Há a saudade dessa continuidade.


P: Os portugueses têm saudades da monarquia. Acha isso?

GRT - Dessa continuidade com certeza, porque isto é um país inventado e construído. Construído com as condições que tinha de mar, de terra, de solos e inventado pelo género português.

 

P: O caminho teria sido outro com uma monarquia?

GRT - Tínhamos seguido um caminho mais paralelo dos países escandinavos.

 

P: Os reis não são eleitos. Não é um bom argumento a favor da República?

GRT - Os reis são eleitos todos os dias.

 

* Entrevista a Gonçalo Ribeiro Telles aqui na integra no jornal i 

Da democracia e da necessidade de uma cultura de serviço

(Artigo publicado no n.º 6 do Correio Real) 

 

A democracia é, como se costuma dizer, o pior regime exceptuando todos os outros. É naturalmente melhor do que qualquer regime oligárquico, tirânico ou autoritário. Na sua acepção ideal, tem como grandes virtudes a liberdade de expressão, a aspiração à difusão de oportunidades e igualdade no acesso à educação, permitindo ainda aos indivíduos e à sociedade civil ter um papel determinante na condução da política e da vida pública, ao passo que o aparelho estatal assenta teoricamente numa separação de poderes e num sistema de checks and balances como forma de evitar que exista qualquer poder incontrolado, porque como ensinava Karl Popper, o importante em democracia não é saber quem manda mas como controlar o poder de quem manda.

 

Porém, a democracia tem o condão de poder degenerar, tal como tem vindo a acontecer em Portugal, numa ditadura da maioria (a mais das vezes medíocre, bastando olhar para os imensos exemplos de políticos portugueses), e num regime tendencialmente oligárquico – confirmando a Lei de Ferro da Oligarquia formulada por Robert Michels – subjugado por interesses mais ou menos desconhecidos – as coligações de interesses organizados que Friedrich A. Hayek apontava como um dos factores responsáveis pela perversão da democracia.

 

O regime actual padece de graves falhas que ao nível político estão cada vez mais visíveis, funcionando cada vez pior. Desde logo, a arquitectura do aparelho estatal, com um regime híbrido e com poderes muito pouco separados, contando com um Presidente da República com poucos poderes, um Primeiro-Ministro que é sempre um potencial ditador se tiver uma maioria absoluta no parlamento, um parlamento com deputados completamente reféns dos partidos pelos quais são eleitos e que mais não é do que a casa não da democracia mas da falta de sentido de estado e ausência de dedicação à causa pública, sem falar no cada vez mais kafkiano sistema de justiça.

 

Os partidos políticos, por seu lado, tornaram-se reféns das coligações de interesses organizados com as quais os políticos são forçados a negociar e das quais depende em grande medida o seu apoio e sustentação política, ocorrendo, na realidade, uma distorção do que deve ser o interesse público, na medida em que os partidos não estão unidos por verdadeiros princípios políticos e sujeitam-se aos interesses dos grupos de pressão que são efectivamente capazes de se organizar a ponto de preponderarem sobre outros que não se conseguem organizar de forma tão eficaz. Isto distorce a alocação de recursos, que é feita pelo poder político sem quaisquer referências a princípios de justiça, igualdade ou eficiência, consubstanciando o que José Adelino Maltez costuma referir como uma economia privada sem economia de mercado.

 

A virtude da democracia é refrear os ímpetos autoritários e ditatoriais, aceitando e defendendo o conflito e institucionalizando regras para este. A negociação e o compromisso têm de ser constantes em qualquer democracia saudável. Em Portugal, contudo, os políticos preferem não ter freios ao poder, impor as suas opiniões e decisões pela força da soberania popular expressa nos actos eleitorais e governar como se fossem ditadores – tudo em nome da estabilidade e da governabilidade, como se fosse possível eliminar a instabilidade e o conflito inerentes à democracia.

 

Temos assim um ambiente político exasperante, em que a política é encarada como o futebol, com clubes e as suas respectivas claques compostas por elementos que, na sua esmagadora maioria, se preocupam essencialmente com a baixa política intriguista e interesses que pouco ou nada têm a ver com a causa pública. Falta-nos uma cultura de serviço, que nos permita transcender-nos no que à governação diz respeito, fazendo cumprir Portugal através da prossecução de uma política assente no respeito por todos os portugueses, e não apenas por interesses que distorcem o funcionamento da democracia, colocando-a em causa. Não podendo enveredar por uma nova campanha de Descobrimentos, tendo sido a religião arredada do espaço público em virtude do jacobinismo republicano que grassa no país desde a I República, há apenas uma mudança política que pode revitalizar moralmente o país e contribuir para uma substancial regeneração do mesmo: a restauração da monarquia. Só esta permitirá que nos sintamos mais coesos enquanto nação, e que tenhamos verdadeiramente um espírito de missão na prossecução das nossas vidas, com a certeza de contribuirmos para algo muito superior a qualquer um de nós mas, contudo, essencial para as nossas vidas e para o país.

Cão que ladra não morde e se rosna tem medo

 

Nos últimos tempos não tenho comprado o Público, coisa que talvez justifique a minha surpresa ao encontrar hoje em destaque, a ¼ de página (na 3) com caracteres de corpo grande a seguinte parangona: “Amadeu Carvalho Homem historiador e republicano, dirige uma pergunta ao pretendente ao trono, a propósito da celebração de mais um aniversário da Restauração, a 1 de Dezembro”: “SE UM DIA FOSSE REI DE PORTUGAL, NÃO ACHARIA BIZARRO (NO MÍNIMO) QUE O TRATASSE POR SUA MAJESTADE?” (a vermelho no original).
Porque mantenho alguma crença na inteligência humana, custa-me acreditar que esta opção editorial não tenha um justificado enquadramento que me escapa. De resto, a mesma pergunta com que nos desafia o historiador poderia aplicar-se a outros tratamentos honoríficos ou convencionais, que mais do que um sentido estrito correspondem apenas a uma tradição protocolar: Sentir-se-á o Presidente da República mesmo “Excelente” (Excelência) e o Senhor Reitor mesmo “Magnífico”, (Vossa Magnificência), e que dizer do " Venerando Desembargador", do " Meritíssimo Juiz" ou o "Sapientíssimo Grão-Mestre"?
Finalmente como um mal nunca vem só, a imbecil questão ficará sem resposta, dado que o destinatário dela como consta na manchete introdutória é D. Duarte Nuno Duque de Bragança, que faleceu aos 69 anos, há mais de 34 anos.

Pela minha parte sou levado a concluir que o destaque dado a tão boçal provocação só se justifica pela insegurança e receio que a Instituição Real por estes dias parece inspirar aos republicanos ou simplesmente a gente de limitada craveira. É sabido que a primeira razão do cão ladrar e arreganhar os dentes é o “medo”, fenómeno que deveria levar os monárquicos a ter algum orgulho na sua Causa, que afinal algum trabalho vai fazendo…

 

Também publicado aqui

Homenagem a Gonçalo Ribeiro Telles

Fundação Calouste Gulbenkian e o Centro Nacional de Cultura vão organizar no próximo dia 6 de Dezembro uma sessão de homenagem e reflexão dedicada ao Arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles.

 

 

 

ORGANIZAÇÃO
AURORA CARAPINHA


ENTRADA LIVRE

 

6 DE DEZEMBRO DE 2011
FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN • AUDITÓRIO 2

 

09h30
Abertura
Guilherme d’Oliveira Martins
Presidente do Centro Nacional de Cultura
Emílio Rui Vilar
Presidente da Fundação Calouste Gulbenkian
10h00
O HOMEM
António Barreto • Eduardo Lourenço
Guilherme d’Oliveira Martins
11h15
Pausa café
11h35
O POLÍTICO
Augusto Ferreira do Amaral • Luís Coimbra
Diogo Freitas do Amaral
13h00
Intervalo para almoço
14h30
O PROFESSOR
Carlos Braumann • Aurora Carapinha
Ário Lobo de Azevedo
15h30
Pausa café
15h50
O VISIONÁRIO
Manuela Raposo Magalhães
Nuno Portas • Margarida Cancela d’Abreu
Viriato Soromenho Marques
17h10
Depoimentos
Dom Duarte de Bragança • Miguel Sousa Tavares*
Pedro Roseta • Maria Calado • Alberto Vaz da Silva
17h45
Apresentação da Fotobiografia de Gonçalo Ribeiro Telles 
(Ed. ARGUMENTUM)
Fernando Pessoa • Alexandre Cancela d’Abreu
18h00
Encerramento
Mário Soares • Gonçalo Ribeiro Telles

Discurso de Luís Lavradio presidente da Causa Real por ocasião do Jantar dos Conjurados 2011

 

Altezas Reais,

Minhas senhoras e meus senhores:

 

A Mensagem com que S.A.R. nos brindou, ponderada e oportuna como sempre, não carece de comentários nem de acrescentos.

 

Senhor Dom Duarte, se Va. Alteza Real fosse Rei, certamente que estaríamos mais bem servidos.

 

Veríamos no nosso Rei e na Família Real uma ligação directa e ininterrupta à nossa história milenar, ao desenvolvimento da nossa consciência enquanto portugueses, da nossa independência enquanto Nação. A família que nos dá hoje a honra, uma vez mais, de enriquecer este nosso jantar, é a mesma que com D. Afonso Henriques fundou o nosso país, que consolidou a nossa independência pela mão de D. João I e da extraordinária coragem de São Nuno de Santa Maria, e que na pessoa de D. João IV a recuperou em 1 de Dezembro de 1640.

 

Um dos maiores estadista do século XX, Winston Churchill, monárquico de grande convicção, escreveu “The farther back you can look, the farther forward you are likely to see.” O nosso conhecimento do passado torna mais nítida a nossa percepção do futuro.

 

Nesse sentido, se fosse Rei, Va Alteza seria certamente um símbolo de esperança no futuro, deixando-nos emocionalmente mais estáveis, mais conscientes das nossas capacidades e, naturalmente, mais preocupados em educar os nossos filhos a servir Portugal e não a servir-se dele.

 

Cabe-me a mim agradecer a Vas. Altezas Reais reiterando o privilégio que sentimos todos em poder partilhar a celebração desta data com a nossa Família Real.

 

 

Não querendo abusar da Va. paciência, não posso deixar de falar da Causa Real. Tem aparecido na Internet uma frase minha que julgo sintetiza aquilo que é a Causa Real hoje: "A Causa Real só faz sentido se estiver virada para o futuro… temos que incentivar uma mudança de atitude, apresentando uma alternativa política para o País que traz vantagens concretas para o Portugal do século XXI."

 

Há já muito trabalho a ser feito para que possamos realizar este nosso objectivo, e aproveito para vos falar de três destes projectos, que temos vindo a desenvolver na continuidade das alterações estruturantes efectuadas pelo Dr Paulo Teixeira Pinto,  assim como dos principais obstáculos e preocupações com que nos debatemos e que acho que vale a pena frisar. 

   

Temos um projecto de comunicação ambicioso, mas muito sólido e absolutamente necessário, que urge implementar. Inclui uma renovação da imagem da Causa Real, uma redefinição do seu posicionamento online, razão pela qual o nosso site está em construção, e uma nova abordagem à comunicação que nos possibilita chegar a todos os portugueses. Se formos bem sucedidos, e eu acredito que seremos, a Causa Real ficará dotada, pela primeira vez, de uma plataforma dinâmica de comunicação e informação a nível internacional, assim como de uma rede eficaz de comunicação interna por forma a agilizar a coordenação e cooperação com as suas estruturas regionais – as Reais Associações. A ideia não é nova, mas temos ao nos dispor instrumentos que nunca tivemos, para poder consolidar as nossas bases e revolucionar a forma como comunicamos com o público, dando maior visibilidade e credibilidade à nossa mensagem. 

 

Mas o nosso projecto passa também pelos meios tradicionais, e posso já avançar que hoje mesmo foi assinado um Acordo de Princípios entre a Causa Real e a Real Associação de Lisboa, que visa lançar a nível nacional e, eventualmente, internacional o excelente boletim oficial da Real Associação de Lisboa (única publicação periódica monárquica), o Correio Real. Será uma voz da Causa Real para todos os nossos associados. Já muitos conhecem a qualidade desta publicação que será certamente enriquecida por este alargamento significativo da sua base de leitores Como sabem, os associados das Reais que compõem a Causa Real são automaticamente associados desta, e esta ideia propõe compensar com algo tangível aqueles que regularmente vão apoiando as Reais Associações, pagando as suas quotas, e incentiva as Reais a obter um número crescente de associados e estes a manter as suas quotas em dia.

 

Além de isso, a nossa comunicação precisa de conteúdo e a nossa mensagem de maior substância.

 

Por estas razões, decidi convidar um conjunto de profissionais de reconhecido mérito nas suas áreas de actividade, para desenvolver dois trabalhos que consideramos fundamentais para um movimento como o nosso. O primeiro passa por uma análise histórica do nosso passado constitucional e um análise comparativa das estruturas jurídicas e políticas das actuais monarquias europeias, procurando apresentar uma visão do que poderia constituir uma monarquia constitucional moderna em Portugal e a forma de lá chegarmos. O segundo grupo de trabalho centrar-se-á numa análise de custo-benefício dessa mesma estrutura, realçando não só as poupanças esperadas de uma mudança de regime, como também os potenciais benefícios económicos do mesmo. Queria agradecer desde já a generosa disponibilidade de quem anuiu ao meu convite e que nos honra com o seu compromisso. Não querendo entrar em mais detalhes, posso vos confirmar que contaremos com o brilhantismo de José Adelino Maltez, António Nogueira Leite e Diogo de Lucena.

 

Para estes projectos e outros que temos em mãos, temos procurado a cooperação das Reais Associações, dos nossos associados e de simpatizantes que nos têm abordado com ideias ou simplesmente com a sua disponibilidade. Somos todos voluntários o que, necessariamente, restringe a nossa capacidade de actuação. Mas estamos cá pela convicção de que há um caminho diferente e melhor para Portugal, que passa pelo restabelecimento da Instituição Real.

 

Apesar da forma voluntária com que muitos têm dedicado o seu tempo à nossa Causa há, imprescindivelmente, contas a pagar e há projectos, como o nosso projecto de comunicação, que dependem em grande parte de recursos que não possuímos. Não posso deixar de vos apelar para que ajudem a Causa a levar os nosso objectivos em frente através de uma simples contribuição. Do nosso lado, a Causa Real tem procurado reduzir ao máximo os custos inerentes à sua actividade, para que possamos canalizar recursos tanto para aqueles que mais precisam como para os projectos que actualmente procuramos desenvolver.

 

Lembro que este ano, e pela primeira vez, a Causa Real fez questão de fazer reverter a receita do Jantar dos Conjurados a favor de uma instituição de solidariedade escolhida por SS.AA.RR., neste caso o Banco do Bebé. Esta associação de cariz privativo e voluntário apoia as mães que mais precisam, com o provisionamento de enxovais e outros produtos de primeira necessidade para os seus recém-nascidos, ajudando a formar novas famílias portuguesas. Vamos tentar angariar o suficiente para presentear o Banco do Bebé com 10 enxovais, um exemplo do qual está exposto aqui na sala.

 

Antes de acabar, queria agradecer a todos a Va. presença, imprescindível, quer sejam já habitués ou estejam cá pela primeira vez.

 

Há também um conjunto de pessoas e instituições que não posso deixar de sublinhar, pois sem eles a organização deste evento teria sido impossível. À generosidade de Nuno Pinto de Magalhães e da Centralcer, cujo apoio constante tem trazido a Sagres Bohemia, cerveja da Mesa Real, às nossas mesas. A toda a equipa do CCB e em particular à Rita Correia que teve que aturar as nossas exigências e negociações semanas a fio. À equipa de catering que nos proporcionou este delicioso jantar, muito especialmente ao Gonçalo Figueiredo do Barros pela a sua ajuda incondicional e ao Sr Mesquita pela sua simpatia e paciência. Ao Miguel Anadia e à sua Companhia das Quintas, fornecedores de um espumante que se enquadraria perfeitamente numa das Grandes Marques. Ao Vasco Cascais que nos emprestou um belíssimo e enorme exemplar de uma bandeira portuguesa, com sentido estético! À Festa Aluga e à HIgh Concept & Touch e à sua Directora Geral Mafalda Figueiredo, pelo seu trabalho incansável na organização dos detalhes de tudo. Finalmente um agradecimento aos da Casa. Ao João Mattos e Silva, Presidente da Real Associação de Lisboa e à sua equipa que tiveram, mais uma vez, o trabalho mais ingrato e mais exigente, e o fizeram sem pestanejar e sempre com um sorriso na cara. Ao staff de voluntários aqui presente, muitos dos quais tenho a honra de conhecer pessoalmente. E à Comissão Executiva da Causa Real, que com um verdadeiro espírito de equipa tem mantido a minha esperança de que tudo é possível. Aqui quero realçar o trabalho da Alexandra Vasconcelos, que não pode estar hoje connosco, pois a responsabilidade deste jantar coube-lhe a ela. A todos os meus sinceros agradecimentos.  

 

Acabo pedindo que se juntem a mim bebendo à saúde de SS.AA.RR. os Duques de Bragança que encarnando a nossa história representam uma instituição que será sempre um símbolo de esperança para o futuro de Portugal. Winston Churchill certamente que aprovaria!

 

Viva Portugal!

 

30 de Novembro de 2011

Luís lavradio, Presidente da Causa Real

Independência...

 

 

Ao contrário dos maçons que por já por aí uivam e acirrados rosnam salivando ódio com a ameaça da extinção do 5 de Outubro, o modo conformado com que a Igreja concede na eliminação de duas importantes festas religiosas, coincide com a maneira cordata característica das forças mais tradicionalistas, que também se resignam com o fim do feriado da Restauração da Independência. De facto não virá daí grande mal ao mundo, mas o fenómeno encerra em si um terrível simbolismo: quem é que por estes dias quer saber verdadeiramente dessa coisa extravagante chamada soberania, ou ainda desse capricho da “independência”?

 

 

De resto, ontem à noite, quase setecentos portugueses entre os quais muitos jovens juntaram-se no Centro Cultural de Belém numa evocação aos heróis que há 371 anos instauraram a “Dinastia Portuguesa” da Casa de Bragança em torno do Chefe da Casa Real Portuguesa. Com a habitual leitura da mensagem de S.A.R. tratou-se duma sóbria manifestação de sentido pátrio e solidariedade olimpicamente ignorada pelos média, demasiado ocupados  com o exercício de bajulação ao decrépito regime encarnado por Mário Soares que promovia uma vernissage na sala ao lado com o lançamento do seu livro.
Porreiro pá!

 

Mensagem de S.A.R. O Duque de Bragança no 1º de Dezembro 2011

 

Portugal atravessa uma das maiores crises da sua longa vida. Crise que, disfarçada por enganosas facilidades, foi silenciosamente avançando assumindo hoje consequências dolorosas para as pessoas, famílias e empresas.

A soberania de Portugal está gravemente ameaçada. A História, na crueza dos seus factos, revela-nos que, sempre que o País ficou enfraquecido, aumentou a vulnerabilidade à perda da sua Independência.

Até a razão por que hoje aqui nos encontramos, comemorando a Restauração da Independência de Portugal, pretende, por alguns, ser desvalorizada face à ameaça de extinção do feriado evocativo do Dia que mais devia unir todos os portugueses.

Sinal dos tempos…

A actual e humilhante dependência de Portugal dos credores internacionais é comparável à que resultou da crise financeira de 1890-1892, com tão graves consequências para a Nação e que levou ao fim do Regime da nossa Monarquia Democrática .

Tão importante como resolver a complexa situação interna que exige inevitáveis medidas de austeridade, é analisar as razões que nos levaram ao estado em que hoje nos encontramos.

Torna-se urgente proceder, através de um amplo debate nacional, a uma rigorosa e descomplexada análise dos modelos económico e político que estiveram na origem do depauperamento do Estado.

Cada vez é mais notório que os portugueses não se revêem no modelo de representatividade política em vigor.

Será que o Povo se identifica com os seus formais representantes?

Será que a nossa Democracia deverá ficar confinada a um modelo que já demonstrou não ser suficiente e eficaz?

Porque não considerar outras formas de representação popular complementares, através de outro tipo de representantes mais directamente relacionadas com a população, por exemplo, oriundos dos Municípios, modelo este com raízes profundas nas tradições históricas e culturais de Portugal?

Também no campo económico, necessitamos trabalhar para melhorarmos a nossa auto-suficiência, através de estímulos e incentivos para o desenvolvimento da indústria nacional e da recuperação prioritária das actividades agrícolas e relacionadas com o Mar.

É  inaceitável e perigoso que a maior parte dos alimentos que consumimos venha do estrangeiro!

Como repetidamente tenho alertadoem anteriores Mensagense entrevistas, no actual contexto, o aprofundamento consequente das relações culturais e económicas entre os países lusófonos, mais do que um objectivo, constitui uma verdadeira necessidade estratégica que, por natural, reúne todas as condições quer para o sucesso do desenvolvimento dos seus Estados quer para o aumento do bem-estar das suas populações.

Do muito que se pode fazer neste domínio cito como exemplo a criação de um espaço económico comum aos países da CPLP, integrando a troca de bens produzidos no seu âmbito e o intercâmbio de jovens universitários ou em formação profissional. Acredito que CPLP deveria evoluir para uma Confederação de Estados Lusófonos.

 

Antes da crise económica e financeira, já se encontrava instalada uma crise de ordem moral e ideológica.

Os tempos são difíceis mas poderão ser mais facilmente suportáveis se os portugueses estiverem cientes de que o esforço que lhes está a ser exigido se justifica para salvar a Pátria.

É preciso mudar o estilo de vida que artificialmente foi cultivado nas últimas décadas e adequarmos os nossos hábitos à realidade do País.

Exige-se, para tal, uma rigorosa responsabilização moral que começa pelos Governantes que, mais do que nunca, devem esclarecer com verdade as suas acções, começando por informar a Nação sobre o concreto destino dos avultados financiamentos resultantes dos compromissos assumidos pelo Estado Português ao abrigo do Plano de Assistência Económica e Financeira – “As boas contas fazem os bons amigos!”

Perante a herança que as próximas gerações vão receber, é nosso dever, no mínimo, contribuir para lhes facultar as melhores ferramentas para o seu futuro e o de Portugal: educando-os e formando-os com respeito pelos princípios da honra, da responsabilidade e do amor à Pátria.

A dúvida que hoje se coloca não é a de que País vamos deixar aos nossos filhos mas sim que filhos devemos deixar ao nosso País.

Confio na força anímica que, como Povo, sempre soubemos revelar perante os desafios mais difíceis. Especialmente na nossa juventude, que bem preparada, com a sua criatividade, generosidade e determinação, conseguirá restaurar Portugal!

 

Acredito que os nossos governantes tirem conclusões dos erros passados e que tenham a inteligência e vontade de corrigir o que ainda for possível emendar colocando Portugal acima dos interesses partidários.

 

Assim Deus nos ajude!

 

O Chefe da Casa Real portuguesa, D. Duarte Duque de Bragança

A Real Associação de Lisboa é uma estrutura regional integrante da Causa Real, o movimento monárquico de âmbito nacional. Esta é uma associação que visa a divulgação, promoção e defesa da monarquia e da Instituição Real corporizada na Coroa Portuguesa, cujos direitos dinásticos estão na pessoa do Senhor Dom Duarte, Duque de Bragança e em quem legitimamente lhe vier a suceder. Cabe a esta associação a prossecução de iniciativas e de projectos de interesse cultural, social, assistencial e de solidariedade que visem a dignificação, a valorização e o desenvolvimento dos seus associados e da comunidade em que se insere.

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