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BLOGUE REAL ASSOCIAÇÃO DE LISBOA

As mentiras da República

Há quem diga que as grandes causas se celebram no dia nascimento e que as monstruosidades se evocam no dia da morte. Ora, as celebrações de 2010 carregam essa contradição in terminis. Um desastre que ainda hoje pagamos, que só trouxe desgraças, que nos fechou, isolou, marginalizou e transformou-nos - palavras da época - no México da Europa, apenas superados no exotismo canibal e no desvairamento pelos países balcânicos, não pode, não devia, ser exibido como exemplo. Podemos aceitar de barato que na génese destas celebrações haverá pessoas bem intencionadas, outras nem tanto, pois o grave de tudo isto é que se as pessoas bem intencionadas fazem parte dessa larga maioria de compatriotas que foram colocados perante um facto consumado - 100 anos depois a República continua couraçada e indisponível para medir forças, faltando-lhe elementar coragem cívica para questionar os Portugueses sobre a sua existência - as outras, aquelas que mais encarniçadamente não poupam adjectivos e rapapés aos homens do 5 de Outubro, fazem parte daquilo a que chamamos de "estupidez inteligente".

 

Os mais ardorosos defensores das celebrações são homens do PS. Ora, sabem os esclarecidos socialistas que a República foi um golpe mortal no socialismo democrático e reformista. Sabem os nossos socialistas que os homens que fizeram a República se nutriam de um caldo meso-oitocentista que foi um dos principais arrimos do populismo e do cesarismo que em França matou o liberalismo de 1830. A República, datada e quase caduca culturalmente quando se impôs a tiros ao país, foi elemento de atraso, combateu com intolerância extrema todos os sinais de vitalidade e criatividade - por alguma razão, os grandes vultos da cultura portuguesa de finais de Oitocentos, mas sobretudo os do primeiro quartel do século XX foram ferozes anti-republicanos - e retirou-nos da arena cultural europeia.

 

Há quem repita ad nauseam que na monarquia liberal havia pulsões autoritárias. Havia-as, é certo, mas tão contidas pela moldura da Carta e pela existência de uma chefia de Estado dinástica que tais derivas autoritárias se limitavam a assumir a figura de "ditaduras comissariais", períodos de suspenção da actividade parlamentar. Ora, a República, aproveitou-se dessa figura e exerceu o poder ao arrepio das leis que ela própria promulgara. De 1911 a 1923, ou seja, oitenta por cento da sua existência, deixou de haver a tão aclamada fórmula canónica dos regimes de liberdade que desde o século XVIII são sinónimos de regimes com "separação de poderes". Durante a República não houve, de facto, separação de poderes. Se estes estavam inscritos na Constituição, foram sucessivamente neutralizados pela governação expedita dos hierarcas agora festejados. A nomeação de juízes pelo governo, a existência de presos políticos (e de cárceres privados), o afastamento de chefes de Estado pelo governo, a censura e o poder da tropa, primeiro, e depois da Guarda republicana, são sobejas como eloquentes provas da ilegalidade permanente em que viveu essa mitificada República.

 

Custa-me que pessoas que tão bem o sabem, calem e relativizem tantas e tão tremendas entorses que ditaram, et pour cause, a aceitação quase apoteótica da Ditadura Militar de 1926.

 

Miguel Castelo Branco, daqui

Uma fábula de Saramago

O neo-realismo tem destas coisas. A par da exaltação dos aspectos mais sórdidos e dispensáveis do escrutínio dos podres de todos e de cada um, gosta ainda de inventar heroísmos de circunstância que frequentemente nada mais são, senão a confirmação exacta do oposto. Numa nervosa procura de estórias edificantes à maneira do mais retrógrado figurino da superstição, não se preocupam os seus cultores, em investigar a veracidade dos factos ou pelo menos, o momento exacto em que estes hipoteticamente ocorreram. O que interessa é a quantidade de carvão a atirar às pazadas para dentro da fornalha que tal como se de chama sagrada se tratasse, deve ser mantida a todo o transe. No fundo, estes Saramagos que medram à beira dos caminhos tortuosos desta política-negócio, são directos descendentes de velhotas virgens vestais de uma Antiguidade que ainda ilumina os nossos dias. Infelizmente, tal luz não provém da maciça Torre que outrora guiou os viandantes até à Alexandria do conhecimento, mas não passa afinal, do derradeiro bruxulear espectral da pequena chama que sobre os trípodes, espicaçava medos, dirigia os crédulos e sobretudo, enchia os cofres do Templo.

 

Saramago decidiu escrever sobre a república. Confortavelmente instalado e adulado na maior Monarquia europeia - que talvez venha a trair -, convive amiúde com os monarcas que o condecoram e com os príncipes que quiçá almejará ver um dia sentados no trono de D. João IV. Morta e para sempre enterrada a ..."mais luminosa experiência da humanidade"..., os derradeiros sobreviventes da Roma soviética encontraram na barbárie monárquica o agasalho e o filão inesgotável da condescendência perante um perigo que já não o é. Passeiam-se da tertúlia intelectual blindada, para o campo concentracionário da exclusividade do pensamento da ordem de um dia que há muito se foi. Eles ainda não perceberam que desde a morte do Sol da Terra, a geração que nasceu com a explosão da gigante vermelha já cumpre o serviço militar e pode livremente recorrer à investigação sem a espada de Dâmocles da censura e da polícia política. Viaja da Rússia para a Europa ocidental, dança ao som do decadente imperialismo burguês, fala ao telemóvel, lê o que bem lhe apetece, namora no estrangeiro, come fast-food e ironia suprema, interessa-se pela verdade de um passado nacional cujo brilho oblitera as fanadas brochuras propagandísticas de Stakhanov, da matuska procriadora de quinze filhotes de Lenine e de espigas de milho soviético, grandiosas de quatro quilos cada.

 

Saramago perorou sobre a república dita portuguesa. Não aquela intemporal, do conceito de liberdade dos homens e dos Estados. Não lhe interessa minimamente  a república inventada pelo franco-ibero Afonso Henriques, consolidada pelo  João I de Boa-Memória. Não faz a mínima ideia da raiz profundamente republicana da organização das Cortes, dos pactos entre a coroa e os populares. A ideia de um dia terem existido confrontos acerbos, debates em sede própria, veto à despesa que ao tempo - e em linguagem anacrónica - pode ser hoje confundida como "pública", passa-lhe tão ao lado, como as dúzias de milhões sacrificados em nome do ego de um auto-cultivador da personalidade ou de um ridente futuro que jamais poderia chegar.  Ao Saramago de sempre, aquele da sebenta das contradições de classe, lutas e da história científica, os factos e até as ideias que fizeram - para o bem e para o mal - o país que um dia foi o seu, tornaram-se tão desconhecidos como a lista dos heróis e acontecimentos que moldaram a história de um Turquemenistão ou das tribos do deserto de Gobi.

 

Se não sabe ou de nada tem a certeza, inventa. Se não inventa, molda um acontecimento a uma data, hora e local que mais lhe convenha para enquadrar a fábula. 

 

Eles sempre apontaram a dedo com a valente arrogância emprestada pelo dedo no gatilho, a imperiosidade de uma história científica, o que sucintamente significava a adequação dos factos a inventariar como interessantes, à superstição da sua religião onde a liturgia em nada ficava a dever às magnas bençãos Urbi et Orbi romanas.

 

Saramago é um materialista dialéctico, seja lá o que isso queira verdadeiramente dizer. Desta vez, trouxe-nos uma estória para ele edificante e que se torna a seus olhos, na razão principal para a manutenção de um regime que liquidou a esperança de um século e vegetalizou quatro gerações de portugueses. É o episódio choroso de compaixão pelo  ..."homem humilde, cujo nome, que eu saiba, a história não registou, com uns dedos que tremiam, quase desfalecido, traçou na parede, conforme pôde, com o seu próprio sangue, com o sangue que lhe corria dos ferimentos, estas palavras: viva a república."

 

O castelhanofilizado Saramago situa o acontecimento no 5 de Outubro de 1910 e para emprestar maior grandeza e enquadramento, decidiu a morte do anónimo e o sangrento grafitti, em plena praça do Rossio. Saramago sabe (?) muito bem que esse evento - a ter acontecido, dada a estranha coincidência com uma fome de propaganda que grassava no seio do subversivo prp -, ocorreu num outro dia 5. Estando marcado pelo governo de João Franco para dia de eleições gerais - o que precipitou o Regicídio -, o 5 de Abril de 1908 serviu de pretexto para uma tremenda coacção dos caceteiros e vadios a soldo dos republicanos. Num só dia, caíram vitimados pela violência política, mais portugueses que durante todo o reinado de D. Carlos I, num intróito à sangueira que afogaria a dita 1ª república. O episódio a que Saramago se refere, terá acontecido diante d Igreja de S. Domingos, no Largo do Palácio da Independência. Tentando impedir a votação livre e sem coacção de todos os eleitores inscritos, os republicanos quiseram pôr fim ao chamado período da "Acalmação", erro crasso de transigência perante quem pela violência, pretendeu e acabou por conseguir liquidar um já antigo regime de legalidade constitucional, liberdades públicas e de adequação de Portugal ao que a Europa liberal considerava ser o progresso na Lei.

 

Um momento num dia que não o ideal, mas capaz pelo dramatismo, de fazer verter uma lágrima saramágica pelo solitário caído pelo Grande Nada que foi afinal a república. Esquecidos ficam os milhares de mortos, as levas de presos políticos, os desterrados, os supliciados em plena via pública, o achincalhamento de reputações para sempre perdidas, a ruína económica e as vagas que numa maré sem precedentes, fizeram fugir de Portugal os braços úteis que nos faltariam para povoar o Ultramar. 

 

Saramago evoca o mártir do Largo de S. Domingos de 5 de Abril de 1908, cujo corpo é ínfimo, quase invisível para esconder a imensa mole de milhares de caídos na voragem vertiginosa da ceifeira Morte que a república ignominiosamente trouxe a um povo tranquilo. Milhares e milhares de vítimas da superstição, cobiça e vaidade de um punhado de privilegiados. Entre essas dúzias de centos, encontrava-se  um Rei e o seu sucessor, seguidos de um presidente, um primeiro-ministro, ministros, heróis militares e até, nomes sonantes do clube republicano de má memória.

 

A Saramago recordo outro episódio que talvez ilustrasse melhor o alvorecer do seu regime de eleição por conveniência. Este sim, rigorosamente testemunhado no 5 de Outubro de 1910, quando o Directório dos abastados dirigentes do prp, colocaram pés-descalços armados à porta dos bancos, vigiando a segurança dos depósitos e fortunas dos senhores da nova situação, num  alegórico e indesmentível  "O Seu a Seu Dono"!

 

Que grande peça neo-realista daria para uma crónica - decerto bem paga - numa qualquer folha burguesa da capital olissiponense! Pense nisso...


Nuno Castelo-Branco

in Estado Sentido

Video da entrevista ao Jornal i

«i- Está preocupado com a crise económica que vivemos e com o défice do país?

 

 

S.A.R. D. Duarte Pio- Parece-me perfeitamente claro que isto assim não pode continuar. Qualquer família que gaste mais do que aquilo que ganha vai à falência e isso também acontece com os Estados. Nós estamos a endividar os nossos netos, que vão ter de pagar os desperdícios e disparates que estamos a fazer hoje. O povo português ficou contente com a Expo, o CCB ou as auto-estradas em todos os cantos do país, mas essas coisas pagam-se. E depois falha-nos o dinheiro noutras coisas, como no sistema de saúde, que é fraco.»

 

bem haja

Entrevista a S.A.R. D. Duarte, pelo Jornal i 22 Ago. 2009

 

 

«O que me preocupa mais é que ao haver 60% de abstenção numas eleições, damos uma importância excessiva a minorias muito militantes. Isto põe em causa o significado da democracia. Se as pessoas não votam por estarem desiludidas com a política, estão a deixar que alguns falem por eles. Se a política é tomada como um campeonato de futebol, em que se vota num partido por ser "o seu", então não interessam as medidas que se defendem. A democracia não pode resumir-se a colocar um voto numa caixa de quatro em quatro anos. Tem de haver mais participação cívica, opinião, referendos.»

«Não faz diferença se é Bloco Central ou aliança com os pequenos partidos. Quanto mais forças políticas participarem, mais se pode mobilizar o país para que um governo possa governar a sério. Quanto mais tarde forem tomadas medidas, pior, e se não forem tomadas corre-se o risco de ser uma ditadura a tomar conta do poder para fazer o que é preciso. E falo de uma ditadura que não é necessariamente militar. Se o país entrar em bancarrota, o BCE ou o FMI podem dizer que ajudam a salvar o país, com a condição de nos governarmos de determinada maneira»

 

Ler a entrevista na integra aqui

Portugal Azul e Branco

 

Os republicanos convictos, que não são tantos como se julga, sobretudo os que se encontram instalados nas "comedorias" da República, encararam mal o facto de os monárquicos, para além de existirem, se manifestarem publicamente e não se remeterem àquilo que consideram o seu ambiente natural estereotipado, as touradas, os fados, o "social" onde exibissem bigodes de "pendurar balões", anéis de brasão e outros artefactos que a propaganda republicana lhes colou. Sobretudo, não levam à paciência que, quase cem anos passados sobre o 5 de Outubro de 1910, haja uma geração jovem que não se revê no regime que impuseram pelas armas de buiças, costas e carbonários concentrados na Rotunda e não tenham nomes e apelidos conotados com a "aristocracia", esse bicho-papão que tanto os assusta por pura ignorância. Isso, então, não levam à paciência. Porque,para eles, a Monarquia é coisa do passado, bafienta, regime de privilégios, de falta de liberdade, de democracia, de desigualdades sociais. E não adianta falar-lhes de países que são monarquias e onde tudo o que apontam à Monarquia é o negativo daquilo que dizem. Como o avestruz, metem a cabeça na areia.

 

O que esses republicanos quereriam é que as comemorações do centenário do regime republicano se desenrolasse na unanimidade dos louvores sem uma queixa, sem uma dúvida, sem qualquer manifestação contestatária. Mas não vai acontecer. Pode o Grão -Mestre da Maçonaria estrebuchar à vontade e chamar "pândegos" aos que, afoitamente, colocaram uma bandeira da Monarquia Constitucional na varanda onde foi proclamada a República e querer assim reduzir os monárquicos a esse epíteto, podem os frequentadores dos blogs insultar com a linguagem da estrebaria de onde vieram, podem os Moral desta história dizer alarvidades. Os monárquicos existem, estão de boa saúde física e mental e não se acomodam ao regime por um prato de lentilhas.

 

Hoje, também, Cascais acordou azul e branca. Sinal dos tempos. Sinal de que não nos calam. E cada dia que passa calarão menos. Portugal estará cada vez mais azul e branco.

O Pretendente ao Trono e Vasco Pulido Valente

 Fiquei espantado pela forma como o Vasco Pulido Valente reagiu à iniciativa do 31 da armada de hastear a bandeira monárquica na varanda da Câmara Municipal de Lisboa. Antes de mais gostava de fazer uma declaração de interesses, eu gosto do VPV, eu leio o VPV e acho que o próprio VPV deu uma enorme contribuição, enquanto historiador, para desmistificar muitos dos mitos da república - na verdade o povo não queria a república, ninguém ouviu o povo sobre o assunto e nunca o partido republicano teve força para ser governo - VPV ajuda-nos a perceber isso nas suas obras. Mais do que isso, VPV é autor da última biografia de Henrique de Paiva Couceiro, o qual apelida de "o herói português". Por estes motivos e muitos outros, merece a minha estima e consideração.

No entanto, gostava de contar uma história ao VPV. Pelo que vou tentar ser breve, pelo menos tão breve como me permite o facto de ter que contar uma história, a um historiador, vejam lá. Não sei se vou ter sucesso - mas pelo menos tentei. Nunca fui um monárquico de meia-tigela.

Algures em Sintra vive uma família. O pai chama-se Duarte, nome herdado de seu pai Duarte Nuno, a mãe chama-se Isabel, têm três filhos, dois rapazes e uma rapariga. O mais velho é o Afonso, depois há o Dinis e por fim a Maria Francisca, nomes tipicamente portugueses.

Duarte nasceu com uma responsabilidade acrescida sobre os ombros, diziam-lhe que era pretendente ao trono, herdeiro da História de um povo, o povo português. Duarte não teve uma infância fácil, nasceu no exílio na Suíça - exilado da república e exilado da ditadura. Os seus padrinhos de nascimento foram o Papa Pio XII e a Rainha D. Amélia, mulher do Rei D. Carlos. Na década de 50 volta a Portugal, estudou em colégios privados e depois no colégio militar. Cumpriu o serviço militar em Angola, tal como muitos outros portugueses,  infelizmente alguns lá ficaram.

Ainda antes do 25 de Abril Duarte, tal como muitos jovens da sua geração, apoiou vários movimentos que reclamavam a autodeterminação das colónias. Mais tarde, já em liberdade, foi um activista decisivo, e de reconhecido mérito, na campanha Timor 87. Enquanto ser humano teve a oportunidade de privar e ter como amigos importantes figuras, de todas as áreas e espectros políticos, importantes para Portugal. Duarte dedicou a sua vida a ser uma pessoa séria e coerente.

Vivemos actualmente num país em que o Primeiro-Ministro mandou fechar a faculdade onde andou, o mesmo Primeiro-Ministro que é investigado pelas autoridades inglesas num escândalo sobre corrupção. O Presidente da República também já foi Primeiro-Ministro, e teve como seu Ministro um ex-banqueiro que agora está preso e nesse mesmo banco, um outro Ministro havia, que está a ser investigado e que o Presidente da República colocou como Conselheiro de Estado. Isto é a república, supostamente investida de poderes equalitários e de ética, a chamada ética republicana.

É preciso lembrar que igualdade é o chefe de estado ser o primeiro entre os iguais, ser o verdadeiro árbitro e moderador do sistema, independente e imparcial - ser do povo, pelo povo e de todo o povo. Cavaco Silva foi eleito por cerca de dois milhões e setessentos mil portugueses - somos cerca de dez milhões.

Quando o VPV diz que é preciso um pretendente está errado. O pretendente existe e vive como qualquer português médio, em Sintra, com a família - estudou, esteve na tropa e até foi à guerra. Leu, informou-se e tem opiniões políticas. Mas mais do que isso tem uma enorme vantagem relativamente aos políticos, classe à qual nunca ambicionou pertencer, é sério e é reconhecido por isso. Como Chefe de Estado seria imparcial, sem ter que fazer favores às empresas que lhe deram emprego, ao partido que o ajudou a eleger, aos comentadores políticos que o bajularam e aos grupos económicos que pagaram a sua campanha.

Como um amigo me disse ontem, "o sistema democrático estará sempre seguro, nem que para isso tenhamos que ir às três da manhã entregar uma coroa a uma criança em Sintra". Pois é, D. Duarte de Bragança tem um filho.

 

João Gomes de Almeida no Amor em Tempos de Blogosfera 

Da causa monárquica

 Há muitos patetas que continuam a insistir no argumento da inutilidade das monarquias. Trata-se, amiúde, de gente que carrega a ignorância na mesma proporção do despeito, mobilizando em doses equilibradas lugares-comuns da petite histoire, da coscuvilhice pequeno-burguesa ou do deslumbramento jet set, aos quais se junta uma boa safra de mitos igualitários. Ora, se as monarquias fossem isso, não haveria quem tanto as detestasse ao ponto de as querer destruir. O mais puro republicanismo vive prenhe de regicídio e, quase sempre, foi ou é escola de tiranos endinheirados e camarilhas que encontram no Trono obstáculo derradeiro à consumação do domínio do Estado e da sociedade ; logo, aqueles que se julgam fadados para o exercício do mando. Se as monarquias fossem o que delas dizem os seus inimigos – os patetas e as camarilhas – não teriam o apoio e simpatia que gozam entre o povo chão.

 

Miguel Castelo Branco no Combustões

A Família já não é o que era

Existem hoje em dia fortes correntes ideológicas para as quais está em causa o modelo de família tradicional. O que quase ninguém repara e diz é que no passado muitos foram os movimentos radicais que lutaram pela abolição da família ou pelo seu controlo pelo Estado. Mas a família é “a única instituição subversiva”, e em todas as épocas conseguiu renascer mediante os actos de amor e de confiança que estão na sua origem. No passado séc. XX, as ideologias dos Estados totalitários consideraram a família o principal factor de transmissão dos valores " errados " e reacionários do passado .. Por isso na União Soviética e na Alemanha Nacional Socialista tentou-se que as crianças saíssem da influência familiar, sendo educadas pelo Estado, respectivamente nos "kolkhoze" e nos “Lebensborn”. As doutrinas fundamentalistas sempre pretendederam moldar um Homem Novo, sem os “preconceitos” familiares. É pois, chocante que ainda hoje se mantenha em regimes democráticos a repugnância em deixar as famílias educar os seus filhos para os seus valores éticos e espirituais por forma a proteger a estabilidade familiar. A obrigação das escolas adoptarem programas oficiais ideológicamente formatados , ou de "educação" sexual polémicas é uma forma actual de totalitarismo cultural . Os pais se quiserem que os filhos tenham educação moral, devem tomar a iniciativa de o pedir. No caso da educação sexual, não podem optar , é obrigatória ... Na nossa sociedade democrática não podemos deixar o Estado penetrar nos terrenos da intimidade familiar ou em que a família tem capacidade de se auto-regular. E devemos ajudar as famílias a encontrar formas de expressar os seus direitos e interesses. A família é o espaço decisivo de aprendizagem do amor, da fraternidade e da paz, e devemos lutar para que ela assuma o seu papel social e político na realização de uma sociedade mais justa Em Portugal a degradação da Família sucedeu principalmente nas grandes cidades, onde as referência socio-culturais desapareceram mais facilmente , e onde os jovens se afastaram da cultura dos pais. A toxicodependência, e a delinquência infantil e juvenil são as consequências mais visíveis. Nós ainda não percebemos o que se está a passar e parece que não somos capazes de utilizar os instrumentos democráticos para, negociando organizadamente o nosso voto, exigir dos Legisladores medidas "amigas da família" e levar o Estado a respeitar o interesse dos portugueses. É verdade que numa visão capitalista irresponsável , será mais fácil manipular uma massa humana desorganizada do que uma Nação constituída por famílias equilibradas. Mas mesmo os mais irresponsáveis já começaram a perceber que o " Inverno Demográfico " ( quando as novas gerações são incapazes de substituir as anteriores) , trará consequências gravíssimas , pondo em causa a preservação do nosso modo de vida e a nossa identidade como Povo. Talvez sejamos substituídos por outras populações mais prolíficas e dominados por elas... . A cultura em que nos situamos considera a família como uma referência de valores e é obrigação do Estado criar políticas de apoio à família. A legislação sobre a família tem um núcleo que não pode estar sujeito nem a flutuações políticas ou ideológicas . Para que as famílias tenham cada vez mais liberdades e direitos sociais, devemos unirmo-nos e exigir dos legisladores.cada vez mais respeito por todos aqueles que geram e criam filhos.

 Dom Duarte de Bragança

in: Expresso

Homenagem a Dom Manuel II

Por e-mail enviado para o nosso sítio, Falcão Trigoso dá notícia de uma homengem ao nosso  último Rei. Aqui fica para quem possa associar-se:

 

TRIBUTE TO D. MANUEL II – LAST KING OF PORTUGAL

On Tuesday 29th September 2009 at 7.00 p.m. a ceremony will take place at the St. James’s Catholic Church, 61 Popes Grove, Twickenham TW1 4JZ, in honour of the last king of Portugal, who spent the final years of his exile in Twickenham and died there in 1932.

D. Manuel and his wife are remembered at St. James’s for their charitable activities and for the many marks of friendship they showed to their fellow parishioners.

Organized by the parish priest, Father Ulick Loring, in collaboration with the British Chapter of the Order of St. Michael of the Wing, the evening will begin with Solemn High Mass celebrated by the Right Reverend George Stack, Auxiliary Bishop of Westminster.  The Mayor of Richmond, Councillor Celia Hodges, will then unveil a plaque commemorating the years spent in Twickenham by D. Manuel and his wife D. Augusta.  These ceremonies will be followed by a reception at the Parish Hall in nearby Radnor Road and the launch of the latest book by British historian Malcolm Howe, “Dom Manuel II the last King of Portugal”.

Members of the British Historical Society of Portugal will be very welcome to be present at this tribute.  For logistics purposes if you wish to attend please notify Malcolm Howe by phone (0207-352-1953) or by e-mail (malcolmhowe@hotmail.com)

Confesso que me faz confusão...

Não sei se acompanharam, nos noticiários que nos entram casa dentro, a visita que os Reis de Espanha fizeram à Madeira...

Impressiona sempre ver o Rei Juan Carlos I responder num português impecável às perguntas que os jornalistas portugueses fazem num castelhano risível. Contudo, o que mais confusão me faz é ver as multidões de portugueses a ovacionar e a receber festivamente monarcas estrangeiros.  Não me lembro de ver semelhantes manifestações de satisfação nas visitas de outros chefes de Estado. Que de resto não conhecemos. Quem é o Presidente da República Italiana? e da Alemã? e da Checa? sabem que é o da Finlândia? Conhecemos o francês, e sobretudo a mulher dele, e pronto. A notoriedade e o magnetismo, tão relevantes a meu ver, potenciados pela Coroa são por nós, portugueses, experimentados aquando destas cada vez mais frequentes visitas, mas desbaratados na sua genuína função mais simbólica.

Confesso que me faz confusão ... ver as qualidades do que está fora de portas, ignorando as que esmaltam o que é nosso.       

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A Real Associação de Lisboa é uma estrutura regional integrante da Causa Real, o movimento monárquico de âmbito nacional. Esta é uma associação que visa a divulgação, promoção e defesa da monarquia e da Instituição Real corporizada na Coroa Portuguesa, cujos direitos dinásticos estão na pessoa do Senhor Dom Duarte, Duque de Bragança e em quem legitimamente lhe vier a suceder. Cabe a esta associação a prossecução de iniciativas e de projectos de interesse cultural, social, assistencial e de solidariedade que visem a dignificação, a valorização e o desenvolvimento dos seus associados e da comunidade em que se insere.

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