Terça-feira, 10 de Novembro de 2009
O Muro da Mentira

 

 

Todos os testemunhos fotográficos testemunharam a imponência dos funerais do rei D. Manuel II. Assustando o "regime da situação" na sua nova vertente de salvação do 5 de Outubro, comboios encheram-se de gente que de todos os pontos do país afluiu à capital, prestando aquela que desde o Regicídio, seria a maior homenagem pública de que havia memória. O corpo do rei esteve exposto em S. Vicente por um dilatado período de tempo, tal a dimensão da manifestação de pesar. Isto encontra-se testemunhado por reportagens imparciais, nacionais e estrangeiras, que além de centenas de fotografias e de milhares de cartas trocadas, consistiram numa justa homenagem ao monarca que ficou conhecido pelo Patriota. 

 

Apesar desta bem conhecida verdade dos factos, ontem, tal como hoje, existia uma censura que distorcia a notícia, calava as consciências e ameaçava pelo descarado despudor e manipulação. Assim, a imprensa oficial da 2ª república fazia difundir a velada ameaça, susceptível de ser lida nas entrelinhas. Dizia que ..."os últimos chapéus altos da monarquia estavam presentes em S. Vicente de Fora. No Terreiro do Paço, toda a causa monárquica cabia em dois automóveis modestos."

 

Quando figuras do regime - como Mário Soares - tentam a todo o transe demonstrar o "monarquismo" do Estado Novo e e a inexistência de uma situação de república no Portugal de 1926-74, a linha editorial prosseguida durante mais de quatro décadas, desmente as patéticas, mentirosas e abusivas alegações. São bem conhecidos os movimentos policiais em torno da rainha D. Amélia, quando a soberana visitou Portugal em 1945. Escassas notícias publicadas pelos jornais da "situação" e do tolerado "reviralho", impedimento da divulgação de toda a agenda oficial da rainha, a sua discretíssima chegada de comboio à Estação de Entre-Campos (Lisboa), a gorada insistência em apartar D. Amélia do contacto popular. Conhece-se a carta da rainha a Salazar, em que esta alfinetava graciosamente o presidente do Conselho, salientando a constante "companhia" da indesejada policia política do regime. Apesar de tudo, as enormes manifestações populares de regozijo nas ruas, montras do comércio no país e em todos os locais onde D. Amélia se apresentou, desmentiram e assustaram o regime do poder e da sua oposição: o regime oficial da 2ª república e os dejectos sobreviventes da 1ª que para cúmulo, seis anos depois seriam ambos ultrajados nas ruas de Lisboa, quando do funeral da rainha. Centenas de milhar de pessoas invadiram as ruas, ultrapassando a presença popular nas pompas fúnebres de D. Manuel. Nunca mais se viu tal manifestação de pesar em Portugal.

 

No dia em que a oficialmente inexistente censura actua uma vez mais, convém recordar, pois este Centenário da República não passa da consagração da miséria mental a que este país chegou. Da descarada esquerda à cobarde e colaboracionista direita.

 

Um dia destes, ainda ouviremos os senhores Cavaco ou Soares perorar acerca da bandeira que durante mais de quatro décadas esteve hasteada na sede da PIDE, na Rua António Maria Cardoso. Ficaremos a saber que "oficialmente" a bandeira verde-vermelha não era a da república, mas talvez, a da Casa Gucci. Que gente...

 

Nuno Castelo-Branco

 

em Estado Sentido (estadosentido.blogs.sapo.pt)



publicado por João Mattos e Silva às 18:27
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Terça-feira, 3 de Novembro de 2009
Festa Litúrgica de São Nuno de Santa Maria

Ocorre a 6 de Novembro, pela primeira vez depois da sua canonização, a festa litúrgica de S. Nuno de Santa Maria. Para assinalar essa festa da Igreja Católica, vai realizar-se um Colóquio na Universidade Católica no dia 5, 5ª feira, com o programa que indicamos abaixo.

No dia 6, pelas 19h00, Sua Eminência o Cardeal Patriarca de Lisboa presidirá à Missa na Igreja do Santo Condestável.

Ainda no dia 6, na Universidade Lusíada, pelas 21h30 será lançado um CD de José Campos e Sousa dedicado ao Santo Condestável e serão inaugurada uma exposição e apresentado um livro sobre o Santo Português e herói da independência nacional.

 

 

COLÓQUIO

 Nun'Álvares Condestável e Santo

 

 

Dia 4 – 18 horas

                Conferência Inaugural

                Academia Portuguesa da História

 

                Intervenções institucionais

                Prof. Doutor Aníbal Pinto de Castro (Universidade de Coimbra e Universidade Católica Portuguesa): “S. Nuno de Santa Maria, um místico da Igreja e da Pátria”

                              

                Dia 5 – 9.30 horas

Universidade Católica Portuguesa

 

                1º Painel – A conjuntura ibérica na transição do século XIV para o século XV

 

                Prof. Doutor Luís Adão da Fonseca (Universidade do Porto) - “A conjuntura Ibérica na transição do século XIV para o século XV”

 

                11.00 horas –Intervalo

 

                11.30 horas

 

                2º Painel – O Senhor temporal

 

                Profª. Doutora Manuela Mendonça (Universidade de Lisboa): “Nuno Álvares Pereira, um poder senhorial”

 

                Professor Doutor Padre Aires do Nascimento "O mosteiro do Carmo em Lisboa: um lugar de reencontro com S. Nuno de Santa Maria" .

 

                Dia 5 – 15.00 horas

 

                3º Painel – O estratega militar

 

                Gen. António Martins Barrento (Comissão Portuguesa de História Militar): “D. Nuno Álvares Pereira e a função militar”

 

                Prof. Doutor João Gouveia Monteiro (Universidade de Coimbra): “A estratégia e táctica militares na Europa do século XIV”

 

                16.30 horas

 

                4º Painel – O santo

 

                D. Carlos Moreira Azevedo, (Bispo Auxiliar de Lisboa e Universidade Católica Portuguesa) - “Santidade e política: a integridade do Condestável e carmelita”

 

                Profª. Doutora Margarida Garcez Ventura (Universidade Lisboa) - “Uma lâmpada de prata e muito mais. Testemunhos de D. Duarte sobre a santidade de Nuno Álvares Pereira”

 

18.00 horas - Sessão de encerramento com leitura de conclusões

 

 

 

Local das Sessões:

Auditório Cardeal Medeiros, no Edifício da Biblioteca João Paulo II da Universidade Católica Portuguesa.

 

 



publicado por João Mattos e Silva às 18:02
link do post | comentar | ver comentários (1) | adicionar aos favoritos

A "Face Oculta" da III República

Ouvimos recorrentemente ser proferida de forma grandiloquente a expressão "ética republicana", designadamente nos discursos dos mais altos responsáveis do regime em que vivemos. No entanto, estes glosadores de Frei Tomás têm uma concepção muito própria da ética.
Como se tem visto nestes últimos dias, e com a devida salvaguarda da presunção de inocência, há quem pareça utilizar o sector empresarial do Estado e empresas ainda ligadas a este de forma criminosa, visando enriquecer rápida e vorazmente. Na verdade, não era verdadeiramente segredo para ninguém que a contratação pública de obras, prestação de serviços e até equipamentos militares tem sido uma das maiores vítimas da apregoada "ética republicana", mas é surpreendente ir constatando a aparente facilidade e desfaçatez com que se contorna ou mesmo viola a lei.
Quando são os responsáveis máximos de empresas estatais ou participadas do Estado, alguns deles em "pousio" da política, a darem estes exemplos, estamos conversados quanto à "ética republicana". É também este descalabro ético que tem de levar à reciclagem verdadeiramente mais urgente: a do regime serôdio em que vivemos.

 

Luís Barata

em Centenário da República (www.centenario -republica.blogspt.com)



publicado por João Mattos e Silva às 18:00
link do post | comentar | ver comentários (1) | adicionar aos favoritos

República 'versus' monarquia

"Por volta de 1900, quase todos os direitos [femininos] estavam a ser conquistados, especialmente nos países protestantes. Não havia, no entanto, uma única juíza, política, generala ou empresária em toda a Europa. Curiosamente, a monarquia, uma das mais antigas instituições, permitia ocasionalmente que uma mulher estivesse acima de todos os homens. Em 1900, a mais famosa mulher no mundo inteiro era a rainha Vitória, que então celebrava o seu 63º ano no trono britânico."
 
Geoffrey Blainey, Uma Breve História do Século XX - Livros d' Hoje, 2009
 
Pedro Correia no Corta-fitas
 
 
Na imagem: rainha D. Maria II


publicado por Monarquia Lisboa às 09:15
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Terça-feira, 20 de Outubro de 2009
Regresso ao Futuro

Este cinco de Outubro de 2009 vai ficar no filme da História da República! Para além da insípida cerimónia nos Paços do Concelho de Lisboa, onde o milionário proprietário José Relvas proclamou o novo regime a umas dezenas de lisboetas, para além das flores da memória na base da estátua do tribuno carbonário António José de Almeida, que foi presidente, para além, este ano, do discurso nos jardins do palácio presidencial para que não ficassem dúvidas de que o presidente não apoiava nem Santana nem Costa, o que toda a gente já sabia, centenas de monárquicos, na sua maioria esmagadora abaixo dos trinta anos, vieram para a rua aos gritos compassados de vi- va-o rei e por –tu –gal, empunhando bandeiras azuis e brancas e T Shirts onde se lia “Eu quero um Rei. E tu?”

A repercussão, em todos os jornais e televisões, foi enorme. Na blogosfera enormíssima. Nunca, nesta III República, os monárquicos tinham tido uma tão grande visibilidade e tinham feito falar tão claramente na questão do regime. Para ser justo, devo dizer que esta acção da Causa Real foi antecedida, em pleno verão preguiçoso e ensolarado, pela colocação da bandeira da Monarquia derrubada pelo golpe revolucionário e anti - democrático de 1910, na varanda dos mesmíssimos Paços do Concelho de Lisboa, pelo atrevimento de um grupo independente, que se intitulou Dart Vader’s, a que se seguiram acções semelhantes que os secundaram, um  pouco por todo o País.

Quem se deu ao trabalho de ler o que se escreveu nos blogs, a propósito destes episódios e da ousadia de contestar o regime prestes a fazer cem anos (afinal, para alguns republicanos ilustres como o Dr. Mário Soares, parece que não deveriam ser bem cem anos, porque há que lhes subtrair os da ditadura militar e os dos Estado Novo, que rejeitam como república, o que daria pouco mais de meio século, não fosse o Estado republicano os contrariar celebrando oficialmente o centenário), ficou ciente dos argumentos utilizados pelos republicanos irritados, para contestar a Monarquia: os privilégios, a igualdade, a democracia e o “regresso ao passado”. Argumentos estafados em que ninguém de bom senso e letrado acredita, olhando o que se passa nas Monarquias europeias, tão ou mais democráticas do que a nossa república e muito mais desenvolvidas económica, social e culturalmente. E ficou ciente de que, para além de uma cassete estafada de cem anos, grande parte recorreu à ordinarice e ao insulto como armas em defesa da República, à boa maneira republicana aliás, como a leitura da imprensa do primeiro decénio do século XX e dos dezasseis anos seguintes, demonstram largamente.

Entre a colocação da bandeira na Câmara Municipal de Lisboa e o 5 de Outubro, decorreu entretanto a guerra, primeiro de meias palavras e depois de um discurso palavroso e incompreensível do actual “inquilino de Belém”, sobre eventual espionagem por parte do governo à presidência, que só veio dar razão a quem, há cem anos, contesta a independência e supra -partidarismo do presidente da República por força constitucional, quando esses altos magistrados do regime, têm origem nos partidos, são apoiados política e financeiramente pelos partidos nas suas candidaturas e actuam, uma vez eleitos, com o argumento da mesma origem de legitimidade eleitoral que o Parlamento, contra os governos que são de ideologia diferente, para tentar contrariar as suas opções políticas legitimadas pelo voto parlamentar. Este episódio é, aliás, e além do mais, o mais caricato argumento do mais caricato filme de espiões, em que nem os espiões são desvendados nem os espionados vencem a “potência” adversária e todos perdem, acabando a fita numa enorme gargalhada.

Quem não quer ver que esta República e os argumentos a seu favor ficaram uma vez mais feridos de morte, talvez se espante se um dia forem os seus presumíveis cidadãos a dizer basta. E, continuando no paralelismo cinematográfico, a dizer que querem “regressar ao futuro”. O filme já está em rodagem.

 

 João Mattos e Silva

 

 in Diário Digital

 



publicado por João Mattos e Silva às 07:00
link do post | comentar | ver comentários (1) | adicionar aos favoritos

Segunda-feira, 12 de Outubro de 2009
O fado de Santana II

Pedro Santana Lopes pagou caro o erro de se ter aliado com Nuno da Câmara Pereira em coligação que desta forma afrontou e desmobilizou muitos monárquicos da capital. Se tivermos em conta que foram perdidas várias juntas de freguesia que o PSD detinha sozinho, e que a abstenção na cidade de Lisboa subiu de 39,08% em 2005 para 47,89% em neste sufrágio, parece-me ilegítimo afirmar que a sua derrota se tenha unicamente devido à transferência de votos da CDU para o PS.

 

João Távora 

 


publicado por João Távora às 17:06
link do post | comentar | ver comentários (3) | adicionar aos favoritos

Quinta-feira, 8 de Outubro de 2009
O preço da ética republicana

Finalmente um orgão de comunicação de referência pega no caso dos gastos da Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República que já tinha sido denunciado aqui. Acontece que eu espanto-me que não cause enorme escândalo o facto do design do deste simples site ter sido adjudicado por 99,5 mil euros. Eu pasmo com a naturalidade com que se aceita que se gastarem às expensas dos impostos dos cidadãos 90,0 mil euros em "estacionário" (envelopes, canetas, papel de carta etc.). De resto, com a sua empresa a facturar 180,0 mil euros nestes dois ajustes directos, Henrique Cayatte só pode estar feliz: uma comenda da republica no dia 10 de Junho será a cereja no topo do bolo. 



publicado por João Távora às 11:04
link do post | comentar | ver comentários (1) | adicionar aos favoritos

Terça-feira, 6 de Outubro de 2009
Vídeo da Noite Azul e Branca

Um bom resumo em vídeo da noite Azul e Branca foi produzido por um Vader do 31 e pode ser visto aqui.



publicado por João Távora às 15:47
link do post | comentar | ver comentários (2) | adicionar aos favoritos

IR PARA DIANTE *

Hoje, hoje é o tempo.

 

Hoje é o ano.

 

Hoje é a noite do dia.

 

Hoje é a noite do dia em que resgatámos da terra e agora atiramos ao vento as palavras d' El Rei D. Carlos sopradas ao mar: "Ir para diante"!

 

Sim, Senhor, cumpriremos o nosso dever cumprindo o vosso comando: - e iremos para diante!

 

Olhai Majestade o Vosso e nosso estandarte que de novo flutua no ar, assinalando com as suas cores sem mancha de sangue o advento do tempo novo!

 

Olhai Majestade, e convosco todos os Reis vossos antepassados e nossos antigos soberanos, e convosco todos os vossos descendentes e nossos futuros Reis, olhai todos Senhores, o Vosso povo aqui presente!

 

Olhai Senhores o Vosso povo de novo desperto, proclamando o tempo que vem.

 

Olhai de perto Senhores para os Vossos jovens - para estes jovens que desafiam o passado porque se sabem senhores do futuro.

 

Hoje começa o futuro.

 

Hoje, hoje é o tempo.

 

O tempo em que, outra vez, começamos a restaurar o ideal real feito real ideal.

 

Hoje é o ano.

 

Hoje é a noite do dia - do dia que se apresentou em madrugada de nevoeiro e agora se revela como noite iluminada de vésperas. 

 

Hoje, hoje é a hora da hora!

 

É a hora!

 

Vamos para diante!

 

É a hora!

 

A Vossa hora - a nossa hora!

 

A hora de um princípio sem fim.

 

É a hora!

 

Vamos para diante!

 

E que viva o Rei!

 

E que viva Portugal!

 

* Alocução aos monárquicos do presidente da Causa Real, Dr. Paulo Teixeira Pinto, proferido da varanda da Sede no Largo de Camões, por ocasião do hastear da bandeira portuguesa da monarquia ontem 5 de Outubro de madrugada. 



publicado por Monarquia Lisboa às 10:19
link do post | comentar | ver comentários (1) | adicionar aos favoritos

Segunda-feira, 5 de Outubro de 2009
A nódoa do 5 de Outubro

 

Começa hoje o centésimo ano da nossa república, a terceira mais longa da Europa. É ocasião para celebração justa, sincera e sadia, qualquer que seja a situação ou convicções pessoais. Exige-o o amor a Portugal que partilhamos.

Isso não significa que se branqueiem os acontecimentos de há cem anos ou se canonizem os seus autores. Festejando os sucessos do século, temos de admitir os terríveis crimes que lhe deram início. Vivendo grave crise, mais importante é julgar com serenidade os erros que então criaram uma catástrofe muito pior que a actual.

Um livro oportuno ajuda-nos a compreender um dos aspectos mais marcantes e decisivos dessa derrocada. O Estado e a Igreja em Portugal no Início do Século XX. A Lei da Separação de 1911, do cónego João Seabra (Principia, 2009), é muito mais do que pretende ser. Apresentando-se como estudo jurídico do Decreto de 20 de Abril de 1911 [DG92, 21/4/1911], a "Lei da Separação do Estado das Egrejas", traça um grande e rigoroso fresco histórico da questão religiosa republicana.

Cheio de episódios curiosos, pormenores reveladores, informações pertinentes, inclui até pequenas biografias dos principais protagonistas da questão. O primeiro capítulo, "A situação jurídica da Igreja em Portugal durante a Monarquia liberal" (21), acrescenta um recuo enquadrador, descrevendo os "oito decénios de servidão" (51) que os católicos sofreram antes da perseguição aberta e desbragada dos republicanos triunfantes. "Era esse ambiente de anticlericalismo exacerbado, ordinário e violento que o parlamentarismo monárquico deixara instalar em Portugal, que, juntamente com a disciplina jurídica do regalismo cartista, constituía a situação da Igreja em Portugal no dia 5 de Outubro de 1910" (53).

O mais espantoso na dramática história das 250 páginas seguintes é a incrível ingenuidade atrevida, incomparável boçalidade pateta dos líderes republicanos. Estavam mesmo convencidos que bastava expulsar o rei para se resolverem os terríveis problemas que o País padecia há décadas. Acreditavam que a simples presença dos seus espíritos iluminados no poder chegava para orientar o povo. Só isso justifica que se afastassem das urgentes imposições da governação, pesadas responsabilidades ministeriais e gritantes necessidades populares para se dedicarem a criar problemas gratuitos e vácuos, zurzindo a Igreja por puro capricho ideológico.

A fúria começou antes mesmo de dispersar o fumo dos fuzis na Rotunda. "Para a maçonaria, para o Partido Republicano e em especial para Afonso Costa, o anticlericalismo será a prioridade política da República" (56). Assassinar dois padres e prender muitos (188), expulsar centenas de religiosos (57), proibir vestes talares (59), romper com a Santa Sé (60), entre outras, foram obra de poucos dias. Curiosamente a legislação da família, com leis do divórcio (71) e casamento civil (72), foi também alvo de uma sanha que lembra discípulos contemporâneos. Cem anos passados permanece a coincidência da inimizade à fé e ao matrimónio.

Quando Afonso Costa pretende formalizar o clima de intolerância e facciosismo, com uma capa diáfana de legitimidade e justiça, a farsa fica grotesca. Comparando com a violenta lei francesa de 1905, o regime "é o mesmo, com duas pequenas diferenças: o francês tem uma lógica jurídica que se entende, o português é uma arbitrariedade sem outro fundamento senão o facto de o Estado dispor da força e não se deixar limitar pelo direito (…) todo o sistema tem por fim pôr o governo da Igreja nas mãos dos não católicos" (114).

A aplicação da lei não foi melhor que a concepção. Até o ministro republicano Moura Pinto, maçon assumido, notou seis anos depois, no preâmbulo do Decreto 3687 (22/12/1917): "Os processos [aos padres] foram organizados sem respeito aos mais elementares princípios que em todos as legislações regulam e asseguram a defesa dos acusados" (215).

A infâmia e atropelos são tais que envergonham qualquer um. Esta é a Primeira República que alguns hoje querem sacralizar e, até parece, imitar.

 

por João César das Neves in Diário de Notícias, 5 de Outubro de 1910



publicado por Monarquia Lisboa às 19:37
link do post | comentar | ver comentários (1) | adicionar aos favoritos

A Real Associação de Lisboa é uma estrutura regional integrante da Causa Real, o movimento monárquico de âmbito nacional. Esta é uma associação que visa a divulgação, promoção e defesa da monarquia e da Instituição Real corporizada na Coroa Portuguesa, cujos direitos dinásticos estão na pessoa do Senhor Dom Duarte, Duque de Bragança e em quem legitimamente lhe vier a suceder. Cabe a esta associação a prossecução de iniciativas e de projectos de interesse cultural, social, assistencial e de solidariedade que visem a dignificação, a valorização e o desenvolvimento dos seus associados e da comunidade em que se insere.
pesquisar neste blog
 
Mais sobre nós
posts recentes

O Muro da Mentira

Festa Litúrgica de São Nu...

A "Face Oculta" da III Re...

República 'versus' monarq...

Regresso ao Futuro

O fado de Santana II

O preço da ética republic...

Vídeo da Noite Azul e Bra...

IR PARA DIANTE *

A nódoa do 5 de Outubro

arquivos

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

tags

todas as tags

links
blogs SAPO
subscrever feeds